Alunos do Canadá apresentam propostas para as antigas fábricas da SINAGA

Hoje 10:23 — Beatriz Botelho / Nuno Martins Neves

A Universidade dos Açores acolheu, esta sexta-feira, na Aula Magna, a exposição das propostas iniciais da missão de estudo internacional dedicada às antigas fábricas da SINAGA: a do álcool, na Lagoa, e a do açúcar, em Ponta Delgada. A parceria une a Universidade dos Açores, a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos e a McEwen School of Architecture (MSoA), da Laurentian University, no Canadá.Isabel Soares, representante da CHAM-Açores e da UAç.Artes, descreve a missão como “uma troca de perspetivas e uma relação com os nossos alunos”. A docente refere que os estudantes canadianos “já manifestaram esse regozijo, esse interesse, até espanto por aquilo que encontraram”.Louis-Pierre Bélec, professor na Laurentian University, com raízes na ilha Graciosa, explica que a escolha de São Miguel resultou da publicação dos relatórios da Ordem dos Arquitetos e do Governo Regional sobre a disponibilidade dos edifícios para reabilitação. A instituição canadiana, focada na sustentabilidade e na construção em madeira, quer perceber como “dar continuidade à utilização dos espaços e integrá-los no tecido urbano”, seja para habitação ou para fins museológicos.Para dar resposta à escala dos edifícios, o grupo usou tecnologia LiDAR, que mede distâncias através de laser para criar mapas tridimensionais, e câmaras 360º para mapear os espaços sem acesso direto. “É uma maneira de facilitar a preparação, mas não vai substituir a visita”, afirma o professor. O grupo pesquisou também literatura e cinematografia locais, como o filme açoriano “Lobo e Cão”.Melissa Favas, estudante participante, destaca a ligação das fábricas à comunidade. “A comunidade à volta dependia muito da fábrica. Até criaram uma área residencial para eles viverem”, diz. A estudante aponta o Canadá como referência, com a Evergreen Brick Works, antiga fábrica de tijolos transformada num “oásis verde”.A missão de estudo surge na sequência de um grupo de trabalho criado pela Ordem dos Arquitetos em janeiro de 2026. O projeto teve apoio documental da Ordem e autorização da Secretaria Regional das Finanças, que detém os imóveis.Nuno Costa, da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos, explica que “é um contributo que irá ficar à disposição das Câmaras Municipais, das várias entidades envolvidas e da própria Secretaria das Finanças”. O arquiteto alerta que “uma coisa que é fundamental no património é que ele tenha uso, caso contrário, deixa de exercer qualquer função na comunidade”.O Governo Regional está a desenvolver estudos económicos para consolidar o trabalho de reabilitação. Os estudantes canadianos têm até dezembro para entregar os projetos finais. Para Louis-Pierre Bélec, o objetivo não é apresentar “soluções fechadas”, mas apontar “oportunidades e potenciais para ambos os sítios” e “entusiasmar as pessoas e demonstrar que estes edifícios têm mais vida”.