Alunos do 4.º ano são os que mais gostam de ler mas pioraram resultados
5 de dez. de 2017, 12:34
— Lusa/AO online
Pela
segunda vez, um grupo de crianças portuguesas, com 9 e 10 anos,
participaram neste estudo internacional que se realiza de cinco em cinco
anos para avaliar as capacidades de leitura em papel (PIRLS) e de
leitura online (ePIRLS).Em
Portugal, 4.558 alunos de 218 escolas (91,3% públicas e 18% privadas)
realizaram as provas e, numa escala de mil pontos, os portugueses
conseguiram 528 pontos, colocando o país em 30.º lugar de uma lista de
50 países encimada pela Rússia (581 pontos), Singapura (576) e Hong Kong
(569).
“Portugal teve uma descida significativa de 13 pontos” em relação aos
resultados das provas realizadas em 2011, afirmou Helder Sousa,
presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), salientando o
facto de a performance das raparigas ter piorado.Em
2011, as raparigas tinham-se destacado positivamente dos rapazes, mas
nas provas do ano passado ficaram todos muito próximos, não se
registando diferenças de género nas pontuações médias, com elas a obter
apenas mais um ponto percentual do que eles.“Estes
resultados não nos agradam. Há uma descida clara dos resultados dos
alunos”, sublinhou o secretário de Estado da Educação, João Costa,
durante a apresentação do estudo em que participaram 50 países e 11
outros participantes, num total de 319 mil alunos de 11 mil escolas. Em
Portugal, estas provas foram realizadas entre fevereiro e março do ano
passado, ou seja, dois meses após a atual equipa ministerial ter chegado
ao Governo.Outro dos pontos curiosos do estudo é o gosto pela leitura: as crianças portuguesas surgem como as que mais gostam de ler.
“Mas depois não conseguem ler”, lamenta o secretário de Estado,
sublinhando que é preciso um trabalho que consiga contrariar esta curva
descendente.No
que toca à literacia online (ePIRLS), Portugal fica seis pontos abaixo
dos resultados obtidos no PIRLS: os alunos portugueses obtiveram 522
pontos, ocupando a 12.º posição.
“Os resultados não nos surpreendem completamente”, sublinhou o
secretário de estado, explicando que, desde a tomada de posse, têm
contactado regularmente diretores escolares e professores que
“reportaram a preocupação com o que se estava a passar no 1.º ciclo: uma
excessiva preocupação com resultados e produtos e baixa preocupação com
os processos”.Segundo
João Costa, os resultados hoje divulgados “confirmam algumas previsões
de várias entidades que tinham identificado algumas políticas
educativas”, como o “fechamento das leituras”.Em
declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia de apresentação dos
PILRS, que decorreu numa escola secundária de Lisboa, João Costa
sublinhou que esta identificação dos problemas “não implica uma
revogação ou alteração” das metas curriculares, mas sim uma consolidação
de algumas medidas iniciadas no ano passado, como “a introdução das
provas de aferição mais cedo para não ter de esperar pelo 4.º ano”.Também
presentes nesta sessão estavam a Comissária do Plano Nacional de
Leitura, Teresa Calçada, a antiga ministra da Educação Isabel Alçada, o
responsável do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, José
Verdasca, assim como representantes das associações de professores de
Português.