Alunos deslocados sem contrato de arrendamento não poderão receber apoio ao alojamento
OE2023
31 de out. de 2022, 17:50
— Lusa/AO Online
No próximo ano, os estudantes
universitários sem bolsa, mas de famílias com baixos rendimentos, também
vão receber apoio para o alojamento, uma medida prevista na proposta do
Governo para o Orçamento do Estado para 2023 (OE2023).Para
receberem esse apoio, os estudantes precisam, no entanto, de apresentar
um comprovativo, deixando de fora aqueles que estão no mercado de
arrendamento paralelo, sem contrato nem recibo de renda.A
preocupação foi levantada no parlamento por deputados do BE, PCP e
PAN durante a audição da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino
superior pelas comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e de
Educação e Ciência, no âmbito da discussão em especialidade do OE2023."Caso
os alunos não tenham recibo, não há forma de essa despesa ser
regularizada", disse Elvira Fortunato, em resposta ao deputado
comunista, Alfredo Maia.Após insistência
da deputada Joana Mortágua, do BE, que considerou que o complemento ao
alojamento é muito limitado e perde impacto face à diferença no valor da
renda com e sem contrato que muitos senhorios impõem, o secretário de
Estado do Ensino Superior disse compreender a situação dos estudantes,
mas reafirmou que não há nada que o executivo possa fazer."Se
os senhorios não passam recibo, o que devem fazer os serviços de ação
social? Ser cúmplices com a evasão fiscal?", questionou Pedro Teixeira,
afirmando que "alargar o complemento de alojamento a estudantes
deslocados que não apresentam comprovativo de renda seria compactuar com
a evasão fiscal"."Estaríamos a fazer com
que aqueles que cumprem a lei deixem de o fazer", acrescentou,
considerando que o Governo deve ser intransigente, cabendo-lhe atuar
antes ao nível da fiscalização.O
alojamento estudantil foi o tema que mais marcou a discussão em
especialidade do OE2023 para os setores da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior, com quase todas as bancadas parlamentares da oposição, à
exceção do Chega, a manifestarem preocupação com a escassez de oferta.Pelo
PSD, o deputado Alexandre Poço quis saber o ponto de situação da oferta
em residências universitárias, com a ministra a responder que,
atualmente, há cerca de 15 mil camas em residências universitárias,
estando prevista a disponibilização de pelo menos mais 1.216 até ao
final do ano letivo, no âmbito do Plano Nacional para o Alojamento no
Ensino Superior, que permitirá duplicar a oferta até 2026.Elvira
Fortunato disse ainda que o Governo está a negociar com agentes
privados a disponibilização de mais camas para estudantes deslocados.
Uma das parcerias já em vigor é com a Movijovem, que gere as pousadas de
juventude, onde foram disponibilizadas 285 camas, com uma taxa de
ocupação que ronda, atualmente, os 22%. O
Ministério reuniu também com associações do setor hoteleiro, para
manter os protocolos assinados em 2021, com o objetivo de disponibilizar
camas a preços ajustados à tabela do complemento de alojamento, bem
como com a Conferência Episcopal e a Conferência Nacional das Ordens e
Institutos Religiosos, e também com a Associação Mutualista Montepio,
que tem várias residências para estudantes.Em
resposta ao deputado Rui Tavares, do Livre, que propôs a utilização de
quartéis militares, o secretário de Estado referiu ter havido
conversações com o Ministério da Defesa, mas a solução não era viável
porque os quartéis em funcionamento não poderiam ser utilizados por
questões de segurança, enquanto os edifícios devolutos teriam de ser
reabilitados.