Alunos açorianos com classificações dos exames nacionais regularizada
Hoje 10:35
— Lucas Rebelo/Nuno Martins Neves
Os estudantes do Açores já tomaram conhecimento das notas dos exames,
uma vez que as notas em suspenso do ensino secundário foram
disponibilizadas domingo. Os alunos que se sentirem prejudicados poderão
realizar exames nacionais numa época especial que se realizará em
setembro, anunciou o ministro da Educação, Fernando Alexandre.Em
declarações ao Açoriano Oriental, Rui Espínola, diretor regional da Educação e Administração Educativa (DREAE), esclarece que
todos os resultados do exames do ensino secundário estão afixados nas
escolas, referindo também que os conselhos executivos “trabalharam
arduamente” para conseguir disponibilizar a consulta das provas e as
classificações aos alunos. “O processo ficou concluído no dia de
ontem (domingo), para que os alunos tenham a oportunidade de poderem
decidir sobre eventual reapreciação ou até candidatura à segunda fase
dos exames nacionais”, explicou.O diretor regional também referiu que as
provas finais do 9º ano foram disponibilizadas na manhã de
segunda-feira, estando já afixadas em todas as escolas, permitindo assim
que os alunos possam “decidir o que querem fazer”.Também em
declarações ao Açoriano Oriental, Carlos Amaral, diretor da Escola
Secundária Antero de Quental (ESAQ), referiu que, neste momento, salvo
algum caso excecional, a situação já se encontra “regularizada”.Apesar
da regularização, o mesmo afirma que o processo “não correu bem”, sendo
necessário “fazer uma análise” para perceber de forma concreta o que
falhou. “O ficheiro chegou na sexta-feira à noite e os alunos tinham
48 horas para decidir se queriam fazer a segunda fase, sendo que os
exames já começam amanhã (terça-feira). Portanto, é evidente que não correu bem”,
explica o diretor.O dirigente indica ainda que todos os alunos da
ESAQ que realizaram exames tiveram acesso às provas digitalizadas, sem
haver necessidade de realizar um pedido. “Não teríamos recursos humanos
na secretaria para estar a deferir ou a interferir pedidos. Portanto,
optamos por dar a todos, e mais ainda neste contexto em que as pessoas
estão um pouco assustadas e desconfiadas, antecipamos que seriam
muitos, então optamos por enviar para todos”, esclarece.Já Fernando
Vicente, presidente do Sindicato dos Professores da Região dos Açores
(SPRA), assume ter acompanhado a situação dos exames nacionais de “forma
estupefacta”, afirmando que o Ministério da Educação “promoveu”
diversas “trapalhadas” ao longo das últimas três semanas. “Esta
perturbação toda relativamente aos exames nacionais podem levar a uma
falta de confiança relativamente a todo este processo”, refere.Relativamente
ao número de pedidos de revisão dos exames, o dirigente clarifica que,
apesar de não haver ainda dados em concreto, “haverá um número
significativo de reapreciações a assinalar”, afirmando também que
existem casos de alunos que estão a receber provas que “não coincide com
aquela que eles fizeram”.Apesar do elevado número expectável de
pedidos de revisão, o ministro da Educação revelou que o custo de 25
euros para realizar o pedido vai manter-se.Independentemente do
número de pedidos de reavaliação que poderão existir, Fernando Vicente
deixa claro que “os professores sabem qual é o seu papel, e o seu papel é
trabalhar em prol dos alunos". "Os professores são os verdadeiros
heróis de toda esta trapalhada e todo este caos montado pelo Ministério
da Educação”, afirmou ao explicar que os professores darão conta dos
pedidos de revisão.Já de olhos postos na segunda fase dos exames
nacionais, o mesmo afirma que, “segundo o ministro”, estes vão decorrer
dentro do prazo previsto, esclarecendo também que “especialmente nos
Açores” a tendência é a que haja poucos alunos nesta nova fase de
avaliações.“Este processo revelou uma grande irresponsabilidade do
próprio ministro, uma grande falta de planeamento. Não somos contra a
inovação tecnológica, mas elas têm de ter planeamento, têm de ter
organização. Isto foi o que faltou a este Ministério”, finalizou.