Alunas da EBI Capelas criam app que ajuda a encontrar animais perdidos
Hoje 09:19
— Daniela Carreiro
No início a ‘EncontraPet’ seria uma aplicação de vigia de pássaros. O plano era incorporar um álbum com todas as espécies e, assim o utilizador podia, facilmente, identificar o pássaro observado. “Só que percebemos que havia muitas aplicações que já serviam para isso. E então decidimos criar a ‘EncontraPet’”, esclarece Leonor Vasconcelos, uma das fundadoras da aplicação.Inspiraram-se num caso real, o da Estrelinha: a cadela de uma das suas professoras que tinha fugido de casa, no Pico da Pedra, e foi mais tarde encontrada, a 15 quilómetros de casa, na costa sul. Assim, surgiu a ideia de criar a ‘EncontraPet’. Uma aplicação que ajuda a encontrar animais de estimação perdidos.A app permite ao dono registar o seu animal de estimação através de fotografias, características e, caso exista, o número de microchip, sendo que, em caso de desaparecimento, “basta ativar um alerta que chega de imediato aos utilizadores da freguesia onde o animal se perdeu”, explica uma das fundadoras.Outros utilizadores da app são incentivados a relatar avistamentos de animais errantes, inserindo a localização onde viu o animal e, se possível, carregando uma fotografia do mesmo. O que difere a app de outras semelhantes, é o facto de utilizar Inteligência Artificial (IA) para cruzar e analisar os dados do animal perdido com os avistamentos e, só notificar o dono quando a compatibilidade ultrapassa os 70%. Poupando assim o dono do animal o stress inerente às partilhas nas redes sociais, os vários telefonemas e idas aos locais de supostos avistamentos, ao mesmo tempo que aumenta a probabilidade de o animal se reunir com o dono.Quanto a animais que não tenham traços que sirvam para distinguir de outros da mesma raça, uma das fundadoras da aplicação explica que “durante uma das nossas pesquisas, descobrimos que o focinho dos cães é como se fosse uma impressão digital. É único em cada animal”. É o nariz de cada animal que a IA utiliza para analisar a probabilidade de ser o animal reportado como desaparecido.As alunas esclarecem ainda que a segurança de quem usa a aplicação esteve sempre no centro do projeto, “pelo que a conversa entre o dono e quem avistou o animal só se abre depois de o dono confirmar que se trata do seu animal, evitando falsos alarmes e contactos indesejados”.Por detrás da criação desta aplicação está a equipa BugBusters A4G, composta por cinco meninas que em comum têm a Escola Básica e Integrada das Capelas e o Clube de Programação e Robótica: Matilde Fortuna, Leonor Vasconcelos, Leonor Medeiros, Teresa Hilário e Aline Medeiros, com exceção de uma, têm todas 12 anos e frequentam o sétimo ano.Sobre o professor e coordenador do Clube de Programação e Robótica da EBI Capelas, Luís Costa, as BugBusters revelam que “apoiou-nos desde o início e ajudou-nos com a parte da conceção da aplicação”, adiantando que “temos as ideias e o professor incentiva-nos a encontrar formas de as concretizar”.Do Clube de Programação e Robótica surgiu o EncontraPet, mas também um braço robótico pensado para aqueles que, infelizmente, tenham perdido este membro; e uma caixa com o intuito de ajudar crianças não verbais que estejam no espetro.A EncontraPet está disponível para download, gratuitamente, na Google Play.