Altice diz que só teve "conhecimento" da consulta pública sobre tarifa social de Internet pelos media
18 de ago. de 2021, 12:54
— Lusa/AO Online
Na segunda-feira, a
Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) divulgou a proposta para a
tarifa social de acesso à Internet em banda larga, ainda a vigorar este
ano, que deverá ser de 6,15 euros por mês.Contactada
pela Lusa, fonte oficial da Altice Portugal adiantou que a dona da Meo
"encontra-se a analisar as três consultas públicas lançadas pela Anacom
[Autoridade Nacional de Comunicações] e os fundamentos apresentados para
as opções do regulador, sendo de destacar que a empresa só teve
conhecimento da consulta pública sobre o valor da TSI [tarifa social de
Internet] através da comunicação social". E,
"sem prejuízo desta análise, já se sabe que o espaço para acomodar
alterações ao que é proposto é reduzido, como é hábito da Anacom, pelo
que estas consultas são meras formalidades", rematou a mesma fonte.Fonte
oficial da Vodafone tinha adiantando à Lusa, na terça-feira, que a
operadora de telecomunicações "está a analisar os documentos associados à
implementação da tarifa social de Internet submetidos a consulta
pública pela Anacom, reservando os seus comentários só após análise mais
detalhada dos mesmos". Também na
terça-feira, a Apritel, associação dos operadores de comunicações
eletrónicas, antecipou que o valor proposto para tarifa social de
Internet implique um "encargo elevado" para o setor e defendeu que o seu
financiamento "deve ser assegurado primordialmente por fundos
públicos".Questionado pela Lusa, o
secretário-geral da Apritel, Pedro Mota Soares, considerou que "uma
tarifa social que visa garantir um acesso adequado à Internet de banda
larga a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica,
acelera o processo de transição digital e traz benefícios para toda a
economia e para a sociedade no seu conjunto".No
entanto, "o financiamento desta política social deve ser assegurado
primordialmente por fundos públicos e não sobrecarregar apenas o setor
das comunicações eletrónicas", afirmou o secretário-geral, em resposta
por escrito à Lusa.Segundo a Apritel,
"face aos produtos existentes no mercado, o valor proposto pela Anacom
representa um desconto de cerca de 70%, o que representa um desconto
muito superior ao que existe, por exemplo, na tarifa social de energia,
que é de 33,8%". Ora, perante isso, "antecipa-se que o preço proposto implique um encargo elevado para o setor das comunicações eletrónicas". A
proposta do regulador, que está em consulta pública durante 20 dias
úteis, até 10 de setembro, de cinco euros (6,15 euros com IVA à taxa de
23%) será depois apresentada ao Governo, a quem cabe fixar o valor
efetivo por portaria.A tarifa de Internet
"será disponibilizada por todas as empresas que oferecem este tipo de
serviço a consumidores com baixos rendimentos ou com necessidades
sociais especiais e visa mitigar uma das barreiras à utilização do
serviço de acesso à Internet em banda larga, os elevados preços a pagar
pelo acesso ao mesmo, promovendo a sua utilização", explicou o
regulador.O valor proposto, segundo a
Anacom, "permite ir ao encontro do objetivo de garantia da
acessibilidade do preço para os consumidores com baixos rendimentos ou
com necessidades sociais especiais para o referido serviço".