Altice assegura cabos submarinos enquanto for necessário mas avisa que 2024 "é já ao virar da esquina"
24 de fev. de 2023, 05:51
— Lusa/AO Online
Ana Figueiredo falava à Lusa à
margem da apresentação das quatro grandes áreas de atuação da Altice
Portugal e da nova linha de comunicação da marca, que decorreu no Altice
Arena, em Lisboa.A 24 de janeiro, o
presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) afirmou, no
parlamento, que a Altice Portugal afirmava estar "em condições de manter
as operações atuais" dos cabos submarinos até final de 2028.Questionada sobre quantos cabos submarinos estão envolvidos no tema, a
executiva salientou que se trata de um anel que liga o continente à
Madeira, a Madeira aos Açores e os Açores ao continente."São
três cabos, desses três cabos, temos dois que o seu período de vida
útil termina 2024, portanto, é já no próximo ano, no final do próximo
ano", explicou Ana Figueiredo.O período de vida útil do terceiro termina em 2028."Com
a responsabilidade que temos nós vamos colaborar e temos vindo a
colaborar com o Governo, com a IP Telecom (...) para assegurar a
transição e para assegurar a operação do cabo atual enquanto for
necessário", sublinhou."Mas gostaria também de salientar que é necessário acelerar porque 2024 é já ao virar da esquina", advertiu.Anteriormente,
na conferência de imprensa, quando questionada pelos jornalistas acerca
da consulta pública lançada por Bruxelas sobre como pagar a inovação na
Internet, em que se discute se as 'big tech' (gigantes tecnológicas)
devem participar, o denominado 'faire share', Ana Figueiredo avançou que
irá em março a Bruxelas.No final de março
"vou deslocar-me a Bruxelas [onde] vou ter uma reunião também com
outros operadores" que fazem parte da ETNO, em que vão estar os
presidentes executivos, e também com a comissária europeia Margrethe
Vestager e "vamos discutir este tema do 'faire share'", disse.O
investimento "que está a ser pedido exclusivamente aos operadores de
telecomunicações na Europa é enorme" e "a uma velocidade acrescida",
salientou, referindo que os cálculos sobre o 5G foram feitos antes da
pandemia.Ana Figueiredo considera que este
não é "um tema fácil", o qual também está a ser debatido nos Estados
Unidos, prevendo que saia uma "solução mais rápida" em Washington do que
na Europa.A consulta pública versa sobre a
definição de quem vai pagar o desenvolvimento das infraestruturas de
conectividade, tais como a rede de 5G para os telemóveis. Até agora têm
sido as grandes operadoras de telecomunicações, mas a Comissão Europeia
quer debater se outro tipo de empresas do setor da informação digital
deveriam ser chamadas a comparticipar, as chamadas 'big tech'.Sobre diversificação, Ana Figueiredo disse que a Altice Portugal olha "diariamente" e avalia "oportunidades" do mercado.Em
resposta aos jornalistas disse que a dona da Meo pretende continuar a
consolidar na energia, como em outras áreas em que já está presente.Relativamente
à televisão digital terrestre (TDT), recordou que a Meo tem interesse
em renovar a concessão, que termina no final deste ano, se um conjunto
de condições forem garantidas, já que ao longo dos últimos 15 anos o
contrato sofreu vicissitudes.O grupo procura a garantia de previsibilidade e aguarda uma posição do regulador Anacom e do Governo.