Alterações climáticas de "origem humana" responsáveis pela vaga de calor no Sahel
18 de abr. de 2024, 18:31
— Lusa
De 1 a 5 de
abril, Mali e Burkina Faso sofreram uma vaga de calor excecional, tanto
em termos de duração como de intensidade, com temperaturas superiores a
45°C que causaram um grande número de mortes nestes países.As
observações dos cientistas e as comparações dos modelos de temperatura
"mostram que ondas de calor observadas em março e abril de 2024 na
região teriam sido impossíveis" sem um aquecimento global de 1,2°C "de
origem humana", indicou um relatório de cientistas da rede World Weather
Attribution (WWA). O documento salientou
que um episódio como o que afetou o Sahel durante cinco dias em abril só
ocorre "uma vez em cada 200 anos". As
vagas de calor são comuns no Sahel nesta época do ano, mas a vaga de
calor de abril "teria sido 1,4°C mais fria (...) se os seres humanos não
tivessem provocado o aquecimento global através da queima de
combustíveis fósseis", afirmaram os autores do relatório. "Estas tendências vão manter-se com o aquecimento futuro", acrescentaram. A
duração e a gravidade desta vaga de calor conduziram a um aumento do
número de mortes e de hospitalizações registadas nestes países, apontou a
WWA, apesar de as populações do Mali e do Burkina Faso "estarem
aclimatadas às temperaturas elevadas".Embora
"seja impossível" contabilizar o número exato de vítimas devido à falta
de dados disponíveis nos países em causa, "é provável que tenham
ocorrido centenas, se não milhares, de outras mortes relacionadas com o
calor", afirmou a WWA.Desde os anos de
1970, os países do Sahel têm sido confrontados com secas, bem como com
episódios de precipitação intensa a partir dos anos de 1990.A
diminuição da disponibilidade de água e de pastagens, acentuada pelo
desenvolvimento das terras agrícolas, perturbou a vida das populações
pastoris e favoreceu o aparecimento de grupos armados que se apoderaram
de vastas extensões de território no Mali, no Burkina Faso e no Níger.