Alterações climáticas com “grave impacto” na resposta dos serviços de emergência
13 de out. de 2024, 17:41
— Lusa
“As nossas
conclusões mostram claramente que se espera que as alterações climáticas
tenham um impacto significativo nos serviços de emergência médica”,
salienta a especialista Roberta Petrino, coautora do relatório que será
publicado no European Journal of Emergency Medicine.Apresentado
hoje no Congresso Europeu de Medicina de Emergência, na Dinamarca, o
estudo analisou as respostas dos inquéritos sobre a preparação para as
alterações climáticas de 42 grupos de especialistas em medicina de
emergência, cuidados pré-hospitalares e medicina de catástrofe de 36
países de 13 regiões do mundo.“Numa escala
de zero a nove, avaliaram a gravidade do impacto das alterações
climáticas nos sistemas de saúde e, especificamente, nos cuidados de
emergência, tanto agora como no futuro, numa média de sete”, adiantou
Luis Garcia Castrillo, professor de medicina de emergência e um dos
responsáveis pela análise.De acordo com as
conclusões, o impacto das alterações climáticas nos serviços de
emergência médica será semelhante ou até maior do que nos sistemas de
saúde globais, mas apenas 21% dos especialistas auscultados referiram
que foram realizadas avaliações dos seus efeitos e 38% que foram tomadas
medidas de mitigação.“É surpreendente
como falta consciência em tantos países, bem como entre as sociedades de
medicina de emergência. Alguns países não parecem estar minimamente
preocupados, no entanto, isto irá afetar igualmente os países ricos e
pobres”, avisa Luis Garcia Castrillo.Os 42
grupos de foco que participaram no estudo classificaram em termos de
gravidade as diferentes ameaças, os possíveis impactos nos departamentos
de emergência médica e as medidas necessárias para mitigar os eventuais
efeitos.No global, os três principais
riscos identificados foram a poluição, as inundações e as ondas de
calor, enquanto as vagas de frio, os incêndios florestais e as doenças
transmitidas por vetores, como a malária, foram considerados os menores.No
caso dos países de rendimento elevado, foram considerados como maiores
riscos as ondas de calor, as vagas de frio e os incêndios florestais,
com o maior impacto a sentir-se no aumento do número de doentes.Segundo
as conclusões agora divulgadas, os especialistas em medicina de
emergência dos países do norte da Europa e do Mediterrâneo Oriental
manifestaram-se também preocupados com a deslocação em massa de pessoas e
com a interrupção dos serviços básicos.Já
os grupos de foco dos países de baixo e médio rendimento classificaram o
impacto das alterações climáticas na produção de alimentos e na
disrupção dos serviços de saúde como sendo os riscos mais
significativos.Verificaram-se ainda
diferenças significativas entre regiões no que respeita aos riscos de
doenças transmitidas por vetores, relacionadas com o clima, incêndios
florestais, fenómenos meteorológicos extremos e escassez de alimentos.A
Australásia (Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné), a América Central e
a África subsaariana apresentaram maiores preocupações sobre estes
aspetos, em comparação com as regiões europeias.“A
Sociedade Europeia de Medicina de Emergência apela às nações para que
implementem planos para mitigar o impacto das alterações climáticas nos
nossos serviços”, alerta a organização, que anunciou um grupo de
trabalho permanente para apoiar e monitorizar ações que permitam
minimizar os efeitos das alterações climáticas nos serviços de
emergência médica.