Alterações climáticas aumentam número de mortes por fumo gerado por incêndios
22 de out. de 2024, 12:35
— Lusa/AO Online
Todos os anos morrem mais de
98.748 pessoas devido ao fumo dos incêndios, de acordo com dois estudos
publicados na segunda-feira na Nature Climate Change e liderados pelo
Potsdam Institute for Climate Impact Research PIK.O
primeiro estudo confirma que entre 2003 e 2019, a área ardida em todo o
mundo devido às alterações climáticas aumentou 15,8%, especialmente na
Austrália, América do Sul, oeste da América do Norte e Sibéria.Este
aumento dos incêndios florestais neutralizou a diminuição da área
ardida devido às alterações no uso do solo e ao aumento da densidade
populacional nos últimos anos, apontaram os autores do estudo.Com
base nisto, o segundo estudo examinou como as alterações climáticas
estão ligadas a um aumento global de mortes por poluição atmosférica
relacionada com incêndios e revela que as alterações climáticas
aumentaram estas mortes de 669 anualmente na década de 1960 para mais de
12.500 em 2010.“O nosso estudo mostra
que, quando ocorrem incêndios, a influência das alterações climáticas
com condições climáticas mais secas e mais quentes é cada vez mais
significativa”, explicou Chantelle Burton, investigadora do Met Office
Hadley Center e coautora principal do primeiro estudo.Com
base num conjunto abrangente de modelos globais de incêndios e
vegetação, mostram que as alterações climáticas aumentaram a área
queimada em todo o mundo em 15,8% entre 2003 e 2019, em comparação com
uma situação sem alterações climáticas, e especialmente virulência na
Austrália, América do Sul, oeste da América do Norte e a Sibéria, as
regiões mais propensas a incêndios.Ao
mesmo tempo, a área ardida em todo o mundo está a diminuir à medida que
as terras naturais são convertidas para usos humanos, como a
agricultura, o que reduziu as áreas disponíveis para incêndios em
aproximadamente 19% no mesmo período.No
entanto, embora estas tendências se contraponham, os investigadores
acreditam que o efeito das alterações climáticas nos incêndios aumenta
ao longo do tempo, à medida que o clima continua a aquecer.O
segundo estudo avaliou o impacto global das alterações climáticas na
poluição atmosférica provocada pelos incêndios e nos riscos para a saúde
associados ao longo dos últimos 60 anos.Especificamente,
aponta que as mortes devido à poluição atmosférica causada por
incêndios passaram de 46.401 anualmente na década de 1960 para 98.748 em
2010 e, de acordo com os seus cálculos, 669 mortes anuais na década de
1960 e mais de 12.500 em 2010 podem ser atribuídas às alterações
climáticas.“Isto mostra que as alterações
climáticas representam cada vez mais uma ameaça para a saúde pública,
devido ao aumento do fumo dos incêndios que afeta até mesmo áreas
densamente povoadas”, sublinhou Chae Yeon Park, do Instituto Nacional de
Ciência e Tecnologia Industrial Avançada do Japão e autor principal.O
fumo dos incêndios contém partículas extremamente pequenas que penetram
no sistema respiratório e representam um risco significativo para a
saúde, causando doenças pulmonares e respiratórias.Regiões
como a América do Sul, a Austrália e a Europa registaram os aumentos
mais significativos da mortalidade por incêndios atribuídos às
alterações climáticas, coincidindo com condições mais quentes e secas
provocadas pelo aquecimento global.Embora a
diminuição da humidade e o aumento das temperaturas aumentem o risco de
incêndio, os investigadores também observaram que em algumas áreas,
como o Sul da Ásia, o aumento da humidade levou a menos mortes por
incêndios atribuíveis às alterações climáticas.