Alterações climáticas agravaram furacão Helene que matou 234 nos EUA
9 de out. de 2024, 11:58
— Lusa/AO Online
Ainda
que este valor de 10% “possa parecer relativamente baixo, é muito
importante sublinhar (…) que uma pequena alteração em termos de perigo
pode realmente levar a uma grande alteração em termos de impacto e
danos”, sublinhou Friederike Otto, responsável da rede de referência
científica World Weather Attribution (WWA).O
estudo mostrou também que os combustíveis fósseis – os principais
responsáveis pelo aquecimento global – tornaram a ocorrência de furacões
como o Helene 2,5 vezes mais provável no sudeste dos Estados Unidos.Por
outras palavras, em vez de serem esperados a cada 130 anos, é agora
provável que ocorram a cada 53 anos, em média, concluíram cientistas dos
Estados Unidos, do Reino Unido, da Suécia e dos Países Baixos.Para
estudar o Helene, os especialistas concentraram-se em três aspetos
distintos: precipitação, ventos e temperatura da água no golfo do
México, fator chave na formação de furacões.“Todos
os aspetos deste evento foram amplificados pelas alterações climáticas
em vários graus”, disse Ben Clarke, coautor do estudo e investigador do
Imperial College London, em conferência de imprensa.“Se
os humanos continuarem a queimar combustíveis fósseis, os Estados
Unidos vão enfrentar furacões ainda mais destrutivos”, advertiu.Os autores do estudo alertaram que os riscos estão a crescer para além das zonas costeiras.O
furacão Helene “movia-se depressa (…) por isso conseguiu infiltrar-se
rapidamente em terra” antes de finalmente dissipar a energia, explicou
Bernadette Woods Placky, meteorologista da organização não-governamental
Climate Central.O estudo foi publicado
numa altura em que o estado da Florida, no sudeste dos EUA, se prepara
para a chegada do Milton, atualmente classificado como um furacão de
categoria 5, a mais elevada na escala Saffir-Simpson, com ventos máximos
sustentados de 270 quilómetros por hora.Milton
pode ser “a pior tempestade na Florida num século”, alertou, na
terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, à margem de uma
reunião com os conselheiros na Casa Branca para fazer um balanço dos
preparativos.O sudeste dos Estados Unidos
ainda está a recuperar do Helene, que causou inundações e danos
consideráveis em meia dúzia de estados.