Alterações ao Regimento da AR devem estar concluídas antes da discussão do Orçamento
8 de set. de 2022, 17:10
— Lusa/AO Online
A
informação foi transmitida à Lusa pelo presidente do grupo de trabalho
que está a discutir esta matéria, o socialista Pedro Delgado Alves,
dizendo que este prazo foi consensual na reunião desta quinta-feira, na
qual só não esteve presente o PAN.“Apontámos
para ter o processo pronto para ir a votação a 14 de outubro”,
afirmou, acrescentando que algumas das propostas de alteração ao
Regimento incidem sobre a organização das audições orçamentais e poderão
ser já aplicadas este ano, caso sejam aprovadas.O
grupo de trabalho começará por ouvir, na próxima semana, a divisão de
informática da Assembleia da República sobre as propostas de alguns
partidos de aumentar, em muito, o número de votações eletrónicas no
parlamento, e avaliar a sua viabilidade técnica.Depois,
será feito um texto que contenha todas as propostas consensuais e
repetidas, mantendo-se um comparativo do que não é consensual entre as
várias bancadas e deputados, com as votações no grupo de trabalho a
arrancarem mais perto do final do mês de setembro.Antes
das férias parlamentares, os deputados tinham manifestado a ambição de
que as alterações ao Regimento pudessem ser votadas no primeiro
plenário, já a 14 de setembro, mas a multiplicação de jornadas
parlamentares (de três bancadas, nas próximas semanas) e de outros
grupos de trabalho inviabilizaram essa meta.Mesmo
essa data já tinha resultado de um pedido de adiamento por parte do
PSD, que contou com o voto favorável do PS, para que se adiasse para
setembro a conclusão dos trabalhos, inicialmente prevista para terminar a
tempo de ir a votos no último plenário antes das férias, no dia 21 de
julho.Esse requerimento foi aprovado em 15
de julho com votos a favor de PSD e do PS, contra do Chega e abstenção
da IL, BE, PCP, Livre e PAN.Este processo
de revisão do Regimento tem como ponto central a revisão dos modelos de
debates parlamentares com o primeiro-ministro, com propostas de todas as
bancadas, a maioria para repor as discussões quinzenais que terminaram
em 2020 por acordo entre PS e PSD.À
exceção de PS e PCP, todos os restantes partidos, incluindo o PSD,
apresentam propostas de reposição dos debates quinzenais com o
primeiro-ministro.No atual modelo, os
debates com o Governo realizam-se mensalmente e o primeiro-ministro só
tem obrigação de comparecer perante os deputados uma vez a cada dois
meses.No seu diploma, o PS propõe a
realização de debates mensais com o primeiro-ministro, tal como
acontecia entre 1996 e 2007, e que o Governo esteja presente
quinzenalmente no plenário da Assembleia da República.Os
socialistas pretendem também acabar com o atual modelo de
pergunta-resposta nos debates com o primeiro-ministro, estabelecendo que
"no final do tempo de intervenção de cada partido segue-se, de
imediato, a resposta do Governo", uma alteração que o PSD contesta.O
PCP pretende que o primeiro-ministro compareça para debate em plenário
uma vez por mês e cada ministro pelo menos uma vez por sessão
legislativa, mas já anunciou que “votará favoravelmente as propostas de
reposição dos debates quinzenais com o primeiro-ministro”.