Alterações à disciplina de Cidadania explicitam matérias mas não acrescentam temas
29 de ago. de 2025, 16:05
— Lusa/AO Online
As
alterações ao documento original conhecido este verão surgem na
sequência de sugestões feitas durante consulta pública, que recebeu mais
de 10 mil propostas, das quais foram validadas apenas cerca de três
mil.A Estratégia Nacional de Educação para
a Cidadania (ENEC) foi aprovada na quinta-feira em Conselho de
Ministros, tendo o ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciado
que a educação sexual ficaria agora “mais explicita”.Em orientações
enviadas às escolas sobre a disciplina, o Ministério da Educação,
Ciência e Inovação (MECI) sublinha que as alterações “não são
acrescentos” mas a explicitação de conteúdos que tinham “gerado dúvidas
nas comunidades educativas”.A questão mais
polémica da revisão da disciplina prendeu-se com a nova abordagem
à educação sexual, com associações e sociedade civil a criticarem a
desvalorização de assuntos que dizem preocupar os jovens.O
novo diploma explicita a “saúde sexual e reprodutiva” na
definição e detalha formas de violência para explicitar a “violência no
namoro”, o “assédio” e o “abuso físico, psicológico e sexual”, refere o
ministério.Nesta área, a ENEC define que
os alunos devem aprender e promover “atitudes que incentivem a assunção
do bem-estar físico e mental”, com foco na alimentação, atividade
física, saúde mental e “saúde sexual e reprodutiva”.As
escolas deverão também abordar a “vivência de relações respeitadoras da
intimidade, permitindo escolhas informadas, conscientes e seguras,
contribuindo para a proteção contra todas as formas de violência
(incluindo a violência no namoro, o assédio, a exploração, o abuso
físico, psicológico e sexual, e a ciberviolência) e para a prevenção de
consumos, comportamentos aditivos e dependências”, lê-se na resolução do
Conselho de Ministros hoje publicada.As
escolas terão de abordar temas de saúde em apenas três anos letivos, ao
contrário do que acontece com as outras quatro áreas que serão
obrigatórias nos 12 anos de escolaridade: “Direitos Humanos”;
“Democracia e Instituições Políticas”; “Desenvolvimento Sustentável” e
“Literacia Financeira e Empreendedorismo”.As
áreas da “Saúde”, “Risco e Segurança Rodoviária”, “Pluralismo e
Diversidade Cultural” e “Media” podem ser abordadas apenas em três dos
12 anos da escolaridade: Um ano no 1.º ciclo, outro no secundário e
finalmente um ano entre os 2.º e 3.º ciclos.A
disciplina deve estar apoiada “numa abordagem que envolva alunos,
docentes, famílias e comunidade” e que cada agrupamento de escolas deve
desenhar a sua Estratégia de Educação para a Cidadania.São
as escolas que definem quando abordar as quatros áreas que só precisam
de ser abordadas em três anos letivos, refere o diploma, que define que
os pais devem ser informados das “atividades a desenvolver no âmbito da
concretização dos projetos que envolvam Educação para a Cidadania”.Além
das alterações na área da saúde, há mudanças na dimensão
“Desenvolvimento Sustentável”, que passa a explicitar na definição a
“conservação da natureza e da biodiversidade”, o “bem-estar animal” e “a
preservação dos oceanos”.Foram também
efetuados ajustes transversais à redação e à composição das
Aprendizagens Essenciais, segundo a tutela, em especial na dimensão
Literacia Financeira e Empreendedorismo, mas também na dimensão Saúde,
“na qual se explicitou a sexualidade nos descritores”.O
MECI acrescenta ainda que foram “inseridas alterações mais transversais
para realçar a natureza interdisciplinar da Cidadania e
Desenvolvimento”.As mudanças à disciplina
entram este ano em vigor, mas as escolas terão até as férias do natal
para elaborar as suas estratégias de Educação para a Cidadania.