Alteração paradigmática de atividade física mudou hábitos
6 de abr. de 2023, 10:43
— Lusa
“Houve
e tem havido uma alteração paradigmática da norma social” durante os
últimos 20 anos, garante à Lusa o professor catedrático, que coordenou
um consórcio que analisou, com recurso a tecnologia, a atividade física
dos portugueses em 2008 e 2018.Este estudo
mostra que em 2018 cerca de 71,2% dos adultos portugueses cumpre as
recomendações definidas em 2020 pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
o que contraria os 73% que o Eurobarómetro de finais de 2022 diz não
fazerem qualquer atividade, ou “quase nunca”.Os
números foram obtidos por fenotipagem digital e definem 150 minutos de
atividade física como valor médio semanal, estudados em 2008 e 2018 em
mais de seis mil pessoas por um consórcio que agrega a Faculdade de
Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, Universidade do Porto,
Universidade de Coimbra, Universidade de Évora e Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro.Para assentar
uma ideia mais diversa em termos geográficos, o investigador lembra dois
exemplos, como um caminho pedonal marítimo em Espinho, no qual
encontra, em qualquer final de dia, “dezenas ou centenas de pessoas, uns
a caminhar e outros a correr”.“Fui
treinador de voleibol muitos anos, ia muito a Espinho. Lembro-me da vida
que se fazia. As pessoas iam para o café. Houve aqui um trabalho, e
deve ser realçado. Nos últimos 20 anos, houve uma alteração da norma
social relativamente à atitude quanto ao desporto de lazer, atividade
física de lazer. Onde estavam as pessoas antes desse passadiço? No
café”, concretiza.O mesmo se passa,
exemplifica, no passeio marítimo de Oeiras, no distrito de Lisboa, e
Bettencourt Sardinha realça o papel “dos municípios” em Portugal, em
criar e requalificar estes espaços para que as pessoas possam ter “mais
prazer na atividade física” e tirá-las de casa.“Naturalmente,
queremos, e tem de haver, políticas dedicadas aos jovens, aos adultos.
Eu diria até assim de forma talvez até mais objetiva: políticas
centradas nas escolas, com o transporte ativo. Porque não políticas de
‘design’ urbanístico? Hoje vivemos numa era ecológica, a quarta era. As
pessoas não fazem só porque faz bem à saúde. É porque têm espaço para
fazer e conviver com os outros. Se calhar, políticas no âmbito dos
cuidados de saúde”, sugere.O professor
catedrático lembra também a necessidade de “políticas de comunicação”,
seja na ideia de que o desporto e a recriação física é para todos, seja
na mudança de hábitos no local de trabalho.“Cada
vez mais, em alguns países, em vez de estarem sentadas todos os dias,
[as pessoas empregam] a utilização de secretárias de altura variável,
com interrupções do comportamento sedentário”, reforça.Programas
comunitários são outra das sugestões apontadas, “essencialmente crítico
para as pessoas mais velhas”, que tenham menos autonomia e se sintam
melhor em grupo, com “confiança no que estão a fazer”.“Um
adulto de 40 anos pega em si e vai correr, vai caminhar. Uma pessoa de
70 ou 75 anos também o pode fazer, mas há uma necessidade de alguma
interação social. É preciso programas comunitários, que por esse país
fora são disponibilizados pelos municípios”, lembra.Esta
fruição, reforça, mostra que Portugal “está numa circunstância similar a
outros países” no que toca à atividade física, o que os dados
comprovam.“Há uns anos, com os dados de
2008, quando comparámos Portugal com Inglaterra, Noruega e Suécia, (...)
em termos médios, sobre adultos e idosos, vemos que 62% dos portugueses
cumpriu com as recomendações”, comenta.Em
Inglaterra, este valor descia aos 54%, na Noruega era de 69% e na
Suécia de 64%, o que prova que um “sistema de monitorização fiável e
avançado” pode melhorar as comparações e evitar ‘sentenças’ demasiado
duras, mesmo que estes valores possam ser melhorados, diz.