Alojamento Local nos Açores pede medidas urgentes face a números "preocupantes"
Hoje 16:24
— Lusa/AO Online
A posição da associação,
presidida por João Pinheiro, surge na sequência dos dados oficiais da
atividade turística relativos a janeiro de 2026, números que para o
alojamento local dos Açores “exigem uma reflexão séria” sobre o momento
atual do setor e sobre “as decisões que importa tomar nos próximos
meses”.Citando os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), relativos à
atividade turística de janeiro de 2026, a ALA alerta que o alojamento
local registou “uma queda homóloga de 18,9% nas dormidas”.O
dado “mais grave é que 70,4% das unidades que responderam ao inquérito
não receberam um único hóspede durante todo o mês de janeiro", aponta,
assinalando que “no período homólogo esse valor era de 65,2%".Ou seja, "a situação agravou-se”, alerta a Associação de Alojamento Local dos Açores, em comunicado.No
entender da associação, não se está “perante uma pequena variação
estatística", mas face a "um problema real de procura, de mobilidade e
de orientação estratégica”, já que “mais de sete em cada dez unidades de
alojamento local não têm qualquer atividade durante um mês inteiro”.No
comunicado, a associação recorda que, desde setembro de 2025, tem
alertado para “sinais claros de desaceleração” e os números
oficiais confirmam "exatamente essa tendência".A
ALA critica “a instabilidade recente" na liderança do turismo regional,
associando-a à “redução da conectividade aérea e à ausência de uma
estratégia pública clara e executada”.Os empresários do alojamento local apontam ainda para a “incerteza” que é transmitida ao mercado."Não
basta pedir que se abandone o pessimismo. Os empresários não vivem de
discursos. Vivem de ocupação, reservas e receitas", sustenta João
Pinheiro.A associação lembra que o
alojamento local representa a maioria das camas disponíveis na região e é
composto por pequenas e médias empresas, muitas delas de natureza
familiar, "altamente expostas à sazonalidade e a custos fixos elevados".Assim,
alerta que “uma desaceleração prolongada” poderá resultar em quebras
graves de tesouraria, redução de postos de trabalho, encerramento de
unidades, travagem do investimento privado e, ainda, impacto direto na
economia regional.A ALA defende que os
Açores ainda não atingiram “a maturidade plena” enquanto destino
turístico consolidado e continuam “a enfrentar fragilidades económicas
estruturais".Nesse contexto, considera que
“não é o momento para desinvestir” no setor ou “fragilizar a mobilidade
aérea”, mas “reforçar a estratégia, estabilidade e investimento”.Entre
as medidas consideradas prioritárias, a ALA aponta uma estratégia aérea
"imediata e transparente", um plano de promoção reforçado e
direcionado, estabilidade institucional nas entidades do setor e
coordenação efetiva entre o Governo e os agentes privados.“Ainda
é possível inverter esta trajetória antes da época alta. Mas não com
esperança. Com ação”, afirma o presidente da associação, João Pinheiro,
que assina o comunicado.A ALA sustenta ainda que "não pretende criar alarmismo" e reivindica "decisões concretas e urgentes".