Alojamento Local nos Açores critica "ataque forte" da República ao setor
17 de fev. de 2023, 12:15
— Lusa/AO Online
"O Governo está a
fazer um ataque forte ao alojamento local. As medidas apresentadas não
vão resolver em nada o problema da falta de habitação em Portugal",
afirmou o presidente da Associação de Alojamento Local dos Açores, João
Pinheiro, recém-eleito, em declarações à agência Lusa.O
responsável reagia às medidas anunciadas, na quinta-feira, pelo Governo
da República no âmbito do Programa Mais Habitação, assinalando que as
propostas não deverão ter influência nos Açores e no alojamento local na
região, ao "nível de registos e de suspensões de registos", embora
existam "dúvidas ao nível fiscal". "Estivemos
reunidos com a nossa direção a verificar essas medidas e tudo indica
que não se aplicam nos Açores, porque temos uma legislação própria",
explicou.Segundo João Pinheiro, ainda
recentemente a associação reuniu com a secretária Regional do Turismo,
Berta Cabral, tendo o executivo açoriano demonstrado que "está de braços
abertos" para "a progressão do alojamento local nos Açores".No
plano nacional, o presidente da associação nos Açores criticou as
medidas agora anunciadas, alegando que "não é este o caminho que o
Governo da República deve seguir", ao "prejudicar novos registos de
alojamento local" e "criando mais taxas". "Já
temos uma quantidade de burocracia e taxas que nos dificultam a vida e
criar mais uma não é benéfico, principalmente porque geramos economia.
Os crescimentos que têm surgido em Portugal, principalmente no turismo,
estão muito relacionados com o alojamento local", assinalou João
Pinheiro.No caso dos Açores, o responsável
indicou que o alojamento local "representa 55% do total das camas que
existe na Região" no turismo e representou, em 2022, "220 milhões de
euros de impacto para a economia regional""A
pressão do edificado do alojamento local nos Açores é 2,8%. Estamos a
ser parceiros na parte da reabilitação urbana e a gerar novos
edifícios", destacou.No entender do
presidente da ALA, "o Governo podia olhar de outra forma para o
alojamento de longa duração", com "mais benefícios para os
proprietários". No Conselho de Ministros,
de quinta-feira, dedicado à habitação, o Governo da República decidiu
que as emissões de novas licenças de alojamento local “serão proibidas”,
com exceção dos alojamentos rurais em concelhos do interior do país,
onde poderão dinamizar a economia local.Além
disso, as atuais licenças de alojamento local “serão sujeitas a
reavaliação em 2030” e, depois dessa data, periodicamente, de cinco em
cinco anos, anunciou o primeiro-ministro, António Costa.Assim,
as atuais licenças mantêm-se válidas até 2030, o que significa “sete
anos de garantia para quem investiu”, destacou o primeiro-ministro, no
final do Conselho de Ministros, numa conferência de imprensa.O
Governo pretende, assim, cativar os senhorios para transferirem os
imóveis que têm em alojamento local para habitação, assegurando aos que o
fizerem até final de 2024 uma isenção de tributação de IRS até 2030,
como “compensação para a diminuição de receita que vão ter”.O
primeiro-ministro disse ainda que as atuais licenças de alojamento
local “serão sujeitas a reavaliação em 2030” e, depois dessa data,
periodicamente, de cinco em cinco anos.O
Governo vai colocar as medidas em discussão pública durante um mês.
Algumas das medidas voltarão a Conselho de Ministros para aprovação
final e outras darão entrada na Assembleia da República, explicou
António Costa.Simultaneamente, o Governo
pretende criar uma contribuição extraordinária sobre os imóveis que
continuem no alojamento local, cuja receita reverterá em favor das
políticas de habitação.