Alojamento Local dos Açores pede medidas imediatas face a agravamento da quebra no turismo
Hoje 17:27
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a ALA refere que os dados da atividade turística divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) “confirmam o
agravamento da quebra” no setor do Alojamento Local da região, que
representa mais de 60% da capacidade de alojamento turístico dos Açores e
constitui “um dos principais motores da economia local, da reabilitação
urbana, da fixação populacional” e “rendimento para milhares de
famílias”.Segundo os números divulgados, o
mês de abril de 2026 - primeiro mês completo após a saída da companhia
aérea Ryanair da região - registou uma quebra homóloga de 22,1% nas
dormidas em alojamento local, acompanhada por uma redução de 24,9% no
número de hóspedes face ao mesmo período do ano passado, aponta a ALA.A
ALA, presidida por João Pinheiro, salienta que os indicadores confirmam
os alertas que tem vindo a deixar “há vários meses” sobre o
abrandamento “preocupante” do turismo açoriano e os impactos “cada vez
mais visíveis na economia regional”.Para a ALA, a quebra “já não pode ser interpretada como uma situação pontual ou sazonal”.Outro
dado considerado “ainda mais preocupante” pela associação é o facto de
“37,7% dos estabelecimentos de alojamento local ativos terem declarado
não ter registado qualquer movimento de hóspedes durante o mês de
abril”, representando “um agravamento de 8,6 pontos percentuais” face ao
mesmo período de 2025.Apesar de
reconhecer “o esforço” realizado pela Azores Airlines e pela TAP no
reforço de ligações aéreas, a associação entende que a resposta “não
está a conseguir compensar a perda de conectividade internacional e a
concorrência aérea verificada nos últimos meses”.A
ALA aponta igualmente que a redução da presença de operadores ‘low
cost’ e o enfraquecimento do modelo concorrencial estão igualmente a
contribuir para “o aumento do custo médio das viagens para os Açores”,
tornando o destino “menos competitivo e menos acessível” para muitos
mercados emissores internacionais. Assim, a
associação considera urgente que a região avance com medidas concretas e
imediatas, começando pelo reforço extraordinário e imediato, através do
Orçamento da Região, do investimento na promoção turística externa dos
Açores ainda durante 2026, com o objetivo de intensificar a captação de
procura para a época baixa, no inverno e arranque da operação turística
de 2027. A associação propõe que o próximo
Orçamento da Região passe a prever contratos-programa plurianuais para a
promoção turística, permitindo à VisitAzores maior estabilidade e
capacidade de planeamento estratégico a médio prazo, à semelhança de
destinos concorrentes. A associação
considera ainda fundamental que o Governo Regional avance desde já com os trabalhos preparatórios do regulamento do Fundo
de Desenvolvimento de Rotas Aéreas, de forma a garantir a sua rápida
operacionalização.A ALA apela também à
VisitAzores, ao Governo Regional e às entidades competentes para
intensificarem contactos e negociações com companhias aéreas
internacionais, incluindo operadores ‘low cost’.“A
região ainda vai a tempo de inverter esta tendência. Mas, cada mês sem
medidas concretas representa mais dormidas perdidas, menos atividade
económica e maior pressão sobre centenas de empresas açorianas”, alerta a
associação, no comunicado.