Alojamento Local dos Açores atravessa período exigente
Hoje 14:54
— Lusa/AO Online
Segundo João Pinheiro, a época baixa do turismo “está mais longa, mais intensa e mais difícil de suportar” e quando, nesse período, “mais de metade das unidades não recebe qualquer hóspede”, isso “é um sinal claro de fragilidade estrutural”.O dirigente, que falava na sessão de abertura do 4.º Encontro de Alojamento Local dos Açores, que decorre até sábado na Madalena, na ilha do Pico, reunindo proprietários, parceiros e entidades públicas e privadas, referiu que as preocupações estendem-se ao transporte aéreo e à promoção do destino Açores.João Pinheiro, citado numa nota de imprensa, referiu-se à existência de uma “verdadeira tempestade perfeita”, apontando “a instabilidade mundial, a saída de uma companhia aérea ‘low-cost’ [a Ryanair, a partir de 29 de março, da região], a incerteza em torno da SATA e a falta de investimento consistente na promoção dos Açores” como fatores que criam “um cenário preocupante para 2026”.Ainda assim, o presidente da ALA defendeu que este contexto deve ser encarado como uma oportunidade: “Devemos investir seriamente em marketing e afirmar os Açores como um destino seguro num mundo incerto”.No discurso, também reforçou a importância económica e social do setor, lembrando que o AL “deixou há muito de ser um complemento do turismo nos Açores” e representa hoje “a maioria das camas disponíveis na região”.Em 2023, o setor gerou cerca de 350 milhões de euros, valor que poderá atingir 500 milhões em 2024, sendo que “dois terços deste impacto são gerados de forma indireta e induzida, beneficiando outros setores da economia regional”, avançou.João Pinheiro referiu, ainda, que o futuro do turismo nos Açores passa pela qualificação do AL, sublinhando que a portaria reguladora não é revista há cerca de 10 anos, mas “o setor evoluiu, o território mudou e o contexto económico é hoje completamente diferente”.Para o responsável, o AL é o modelo turístico de que os Açores precisam, pois, na sua opinião, “não massifica, distribui a riqueza pelas pessoas […] e garante sustentabilidade económica, social e ambiental”.Na sessão de abertura do evento, numa intervenção gravada, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, afirmou que o AL tem “um papel absolutamente determinante nos Açores” e foi “decisivo numa fase crítica de transição do destino”, contributo que “não pode ser esquecido”.Segundo Berta Cabral, este segmento permitiu “responder à procura, elevar a qualidade da oferta, diversificar experiências e, sobretudo, levar o turismo a todas as ilhas, a todo o território e ao longo de todo o ano”.A governante, citada numa nota de imprensa do executivo regional, referiu que o AL tem “um efeito multiplicador muito relevante na economia regional”, contribuindo para o surgimento de novos negócios e empresas associadas ao turismo.Reconheceu, contudo, que o setor nos Açores entra agora numa nova fase, marcada por fatores internos e externos que também afetam o AL.“É uma fase que exige maturidade, reflexão estratégica e capacidade de adaptação”, afirmou.Berta Cabral defende que a evolução deste segmento, à semelhança do destino turístico no seu conjunto, deve ser “sustentável, sustentada e orientada para a qualidade, para o valor percecionado e para a credibilidade da oferta”.“Temos todos de garantir o equilíbrio entre o território, a capacidade instalada, a procura, a evolução da oferta e a nossa imagem externa”, concluiu.