Almeida gostava de voltar ao Giro enquanto continua a progredir
19 de set. de 2025, 11:40
— Ana Marques Gonçalves/Lusa/AO Online
Vencedor no
mítico alto do Angliru, o ciclista de A-dos-Francos mostrou nesta Volta a
Espanha, que concluiu na segunda posição, a sua nova faceta atacante,
mas garante não ter mudado o ‘chip’ em cima da bicicleta. “É
um João com maior capacidade física e, sendo mais forte, acho que posso
admitir atacar mais vezes e ter uma abordagem mais agressiva do que, se
calhar, um João um bocadinho com menos capacidade física, que tem de se
preocupar mais com salvar energia e poupar nuns momentos para gastar
noutros. É uma evolução natural de capacidade física que, obviamente,
muda a forma de correr”, analisou.Apesar
de ter somado o seu segundo pódio em grandes Voltas, após ter sido
terceiro no Giro2023, e de ter igualado Joaquim Agostinho como melhor
português de sempre nas corridas de três semanas, 51 anos depois deste
ser ‘vice’ na prova espanhola, o ciclista da UAE Emirates acredita que
ainda tem margem para progredir. “É um
caminho que é a longo prazo, a preparação e os treinos não é de um dia
para o outro, com um estalar de dedos, é uma coisa que demora tempo e
está-se sempre a aperfeiçoar de ano para ano. É um caminho de
aprendizagem e uma evolução que demora tempo”, notou, apontando o ganho
de “capacidade física” como o aspeto no qual irá trabalhar.Numa
época histórica – tornou-se no primeiro ciclista a vencer no mesmo ano
as voltas ao País Basco, Romandia e Suíça -, mas também longa, que
incluiu ainda a presença (e a desistência) no Tour, Almeida optou por
abdicar da participação nos Mundiais de estrada, que arrancam no domingo
em Kigali, no Ruanda, focando-se nos Europeus.“Correr
uma grande Volta para a geral é muito desgastante, ainda por cima
também terminei doente. Então, acho que não fazia muito sentido estar
presente. Sem uma boa forma e uma boa sensação é preferível dar a
oportunidade a outro atleta de representar Portugal, que é uma
experiência brutal. Então, num país diferente, numa realidade diferente,
acaba por ser enriquecedor”, vincou.Embora
ainda não seja tempo de planificar a próxima temporada, Almeida revelou
à Lusa que “gostava de voltar ao Giro”, onde despontou para o estrelato
com a sua memorável odisseia como camisola rosa em 2020 e onde subiu ao
pódio em 2023.“É uma coisa que gostava de
fazer. Logo vemos o que o futuro nos reserva. Também gostava de fazer a
Volta a França, se calhar não no próximo ano, mas noutro ano”,
esclareceu.O melhor voltista nacional não
escondeu que gostaria, um dia, de liderar a UAE Emirates no Tour, onde
foi quarto classificado no ano passado. “Acho
que talvez o [Tadej] Pogacar não vá fazer a Volta a França para sempre.
Algum ano hei de talvez ir como líder ou colíder com ele, quem sabe. Se
continuar a evoluir desta maneira, talvez consiga ser um colíder,
obviamente neste momento inferior a ele, mas também pode ser usado como
uma carta tática para a equipa poder vencer. Se não, gosto sempre de
trabalhar para o mais forte e fazer parte da vitória dele”, disse,
referindo-se ao tetracampeão da prova.