Alimentos para crianças com açúcar ou sal adicionados segundo estudo do INSA, nutricionistas preocupados
28 de dez. de 2021, 10:40
— Lusa/AO Online
No estudo foram
avaliados 138 alimentos complementares para crianças dos seis aos 36
meses, rotulados como adequados para essas idades, concluindo-se que
parte deles tinha adicionado açúcar ou sal.A
propósito do estudo, a Ordem dos Nutricionistas pediu hoje à
Direção-Geral da Saúde (DGS) que tenha “mão forte junto da indústria
alimentar” e pressione “a reformulação dos seus produtos”.De
acordo com o estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge
(INSA), 69% dos produtos alimentares avaliados não cumpria todos os
critérios.“Saber
que 31% dos produtos destinados a crianças contêm pelo menos uma fonte
de açúcar e que 25% têm sal adicionado é preocupante, uma vez que o sal e
o açúcar não devem ser consumidos durante o primeiro ano de vida”,
alerta a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, citada
num comunicado da ordem.Alexandra
Bento acrescentou que é nos primeiros anos de vida que as crianças
adquirem hábitos e que serem expostas precocemente ao sal e ao açúcar
condiciona-lhes o gosto.Porque
há “uma clara necessidade” de reformulação dos produtos alimentares
compete à DGS “atenção redobrada à composição nutricional de produtos
alimentares destinados, principalmente, a idades precoces”, considera a
Ordem no comunicado.O
INSA afirma no relatório que há grande variedade de oferta de alimentos
destinados a lactentes e crianças jovens e acrescenta que, pela
vulnerabilidade dessa faixa etária, tem havido uma crescente preocupação
com a adequação da oferta a uma alimentação saudável e nutritiva.Quase
todos os produtos analisados apresentavam pelo menos um tipo de
alegação nutricional ou de saúde na embalagem, diz o estudo do INSA,
segundo o qual os resultados revelam a importância de uma monitorização e
avaliação nutricional contínuas, e reforçam a necessidade de serem
aplicadas medidas efetivas que limitem a promoção de alimentos menos
saudáveis destinados à faixa etária dos seis aos 36 meses.Dos
138 alimentos analisados, 34 (25%) foram papas infantis, 94 (68%) foram
refeições “de colher” (sobremesas lácteas, purés de fruta e purés de
carne/peixe) e 10 (7%) são bolachas/snacks.O
INSA também já tinha feito um estudo sobre alimentos com o sistema de
rotulagem nutricional Nutri-Score (com letras de A a E e cores do verde
ao vermelho, sendo que supostamente as letras a verde representam
produtos mais saudáveis). Foram
analisados 268 alimentos e o INSA concluiu que 91% não cumpre os
valores de referência definidos na Estratégia Integrada para a Promoção
da Alimentação Saudável (EIPAS) para os açucares e sal, quando avaliados
conjuntamente. Considerando
apenas os produtos com Nutri-Score com as letras A ou B (tidos como
mais saudáveis), 87% excederam os valores de referência da EIPAS, pelo
que o sistema de rotulagem “pode ser considerado pouco eficiente e
potencialmente enganador em algumas categorias de alimentos”, diz o
INSA.