Alimentos de origem animal e água sem indicadores de poluição na Terceira
Hoje 18:13
— LUSA/AO Online
O secretário regional da Agricultura e
Alimentação, António Ventura, disse no plenário regional, na
Horta, em resposta a questões colocadas durante o debate de urgência do
CDS-PP sobre a situação ambiental dos solos e aquíferos da ilha
Terceira, devido à presença da Base das Lajes, no concelho da Praia da
Vitória, que o Laboratório Regional de Veterinária faz análises e cumpre
com o que está definido na legislação.“Desde
logo, nós cumprimos o plano para o controlo de contaminantes em géneros
alimentícios de origem animal, o plano nacional de pesquisa de
resíduos, o plano de controlo de pesticidas em produtos de origem animal
e o plano oficial de controlo da alimentação animal”, esclareceu.Segundo
o governante, em todos estes planos, as análises executadas até agora
“não deram resultados positivos, ou seja, leite, carne e derivados são,
obviamente, seguros” para o consumidor.“Todavia,
perante as novas evidências vindas a público agora, nós estamos a
elaborar um plano específico de atuação para as zonas contaminadas, e
onde existem explorações pecuárias, com novas análises, aliás, até
cumprindo novas diretrizes comunitárias. E, portanto, nós vamos atuar
nessas zonas, tendo em conta estas novas evidências que vieram a
público”, concluiu.Por sua vez a
secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi,
esclareceu que nas análises que têm sido feitas à água da rede pública
do concelho de Praia da Vitória “todos os parâmetros estão dentro do
limite da normalidade”, embora indicasse que tal matéria não é da
responsabilidade do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).Em
resposta ao deputado do Chega/Açores Francisco Lima, que questionou se
existe algum estudo epidemiológico validado que comprove a relação entre
a alegada contaminação dos solos e uma maior incidência de cancro na
Praia da Vitória, a governante respondeu que, fruto da sua experiência
profissional, “a epidemiologia ambiental é muito difícil”.Mónica
Seidi explicou que é necessária uma “amostragem rigorosa que seja,
efetivamente, capaz de mostrar esta causalidade e que consiga provar a
exposição ambiental”.“E isso,
naturalmente, está dependente da intensidade, da duração da exposição e
dos próprios locais. E estes três fatores são essenciais para que se
consiga estabelecer essa causalidade”, rematou.Também
o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, prestou
esclarecimentos no final do debate, referindo que a partir de 2012 a
monitorização na ilha Terceira passou a ser feita “com mais rigor”,
admitindo que o assunto relacionado com a poluição de solos e aquíferos é
“muito complexo” e é “muito grave”.Adiantou
que o Governo vai promover um novo concurso para remediação ambiental
na zona - “de uma forma ecológica, com plantas” -, uma vez que o
primeiro ficou “deserto”.Artur Lima
salientou, ainda, que agora está a monitorizar-se “muito mais” do que
“se monitorizava no passado” e disse esperar pela comissão independente
(proposta pelo BE), para ajudar o Governo Regional, a Assembleia
Legislativa e a Câmara Municipal da Praia da Vitória com conclusões
científicas.O governante também reconheceu
que a tese de doutoramento de Félix Rodrigues sobre o assunto “foi um
bom trabalho e um grande contributo para o Governo da Região Autónoma
dos Açores”.Segundo o Expresso, entre 2020
e 2022, os Estados Unidos não realizaram trabalhos para remediar os
danos ambientais na zona da Base das Lajes, por entenderem que a
contaminação de solos e aquíferos, não é prejudicial à saúde.Uma
investigação noticiada pela agência Lusa em março de 2025 revelou que
uma maior concentração de metais pesados foi detetada na população da
Praia da Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base
das Lajes, segundo a análise de esqueletos humanos.O
armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela
Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação
de solos e aquíferos na Praia da Vitória.Identificada
em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada,
em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que
monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.