Aliança UE-EUA é “forte mensagem” contra uso de energia como “arma geopolítica”
7 de fev. de 2022, 15:24
— Lusa/AO Online
“Em cooperação com
os EUA, a UE continuará a promover uma transição energética global que
seja socialmente justa e se ocupe dos desafios geopolíticos. Amanhã
trabalharemos juntos nesta vasta agenda, enviando uma forte mensagem a
quem procura dividir-nos” e utilizar o seu fornecimento como “arma
geopolítica”, escreveu hoje o Alto Representante da UE para a Política
Externa e de Segurança no seu blogue intitulado “Uma janela para o
mundo”. Neste artigo, publicado na
véspera do Conselho de Energia UE-EUA, o representante adiantou que na
próxima primavera será publicada uma nova estratégia da UE sobre energia
internacional. Borrell e o secretário de
Estado norte-americano, Antony Blinken, vão copresidir na segunda-feira
em Washington ao Conselho de Energia UE-EUA, juntamente com a comissária
europeia de Energia, Kadri Simson, e a secretária norte-americana da
Energia, Jennifer Granholm. A reunião vai
decorrer dez dias após as duas partes terem respondido à concentração
de tropas russas junto às fronteiras da Ucrânia e reforçado a sua
aliança energética para garantir um fornecimento “contínuo, suficiente e
oportuno” de gás ao bloco comunitário em caso de crise, como um
eventual ataque de Moscovo a Kiev.Através
de uma declaração conjunta em 28 de janeiro, a presidente da Comissão
Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos EUA, Joe Biden,
comprometeram-se a “intensificar a cooperação energética” com o objetivo
de os cidadãos e empresas da UE e países vizinhos “disporem de
fornecimentos energéticos fiáveis e acessíveis”.No
seu artigo de hoje, Borrell também assinala que “em conjunto com os EUA
e outros parceiros” existe uma oposição “ao uso do fornecimento de
energia como arma geopolítica”.“Estamos
comprometidos a garantir a segurança energética da UE e dos nossos
vizinhos, incluindo a Moldávia, Ucrânia e os Balcãs ocidentais”,
prosseguiu. Na sua perspetiva, a UE
deveria considerar “urgentemente” o desenvolvimento das suas reservas
energéticas de gás e a possibilidade de “uma aquisição conjunta”. Segundo
o ex-ministro espanhol, o problema “imediato” que deve ser abordado
consiste em garantir a segurança do fornecimento de gás, que advoga “uma
maior diversificação de rotas e fontes de importação”. Com
os EUA, o maior fornecedor de gás natural liquefeito (GNL) da Europa,
será intensificada a cooperação para garantir que os fornecimentos de
gás na UE sejam “seguros” durante os próximos meses, acrescentou o
representante.Em simultâneo, assinalou,
Bruxelas está a contactar com a Noruega, Qatar, Azerbaijão, Argélia e
outros países para expandir os fornecimentos de GNL. “Também
temos de trabalhar rapidamente para integrar melhor a Península
Ibérica, que na realidade é uma ilha elétrica na Europa, no mercado
energético europeu porque tem mais capacidades de receção de GNL que
outros países europeus”, disse ainda.