Aliança confiante na independência da administração da SATA
Açores/Eleições
19 de out. de 2020, 17:09
— Lusa/AO Online
“O acordo que
há deste conselho de administração com o Governo Regional é de não
haver gestão da parte da tutela dentro da companhia”, sustentou Paulo
Silva, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com a
administração da companhia aérea, em Ponta Delgada, no âmbito da
campanha para as legislativas regionais dos Açores, marcadas para
domingo. Reconhecendo “erros de gestão no
passado”, uma “gestão financeira completamente desequilibrada” e um
“passivo gigantesco”, o também cabeça de lista do Aliança pelo círculo
eleitoral da ilha Terceira sublinhou a importância da empresa, detida em
100% pela Região Autónoma dos Açores, na mobilidade dos açorianos e na
autonomia do arquipélago. “Nunca vi uma
administração tão ciente do que diz, tão firmada nos seus propósitos e
na defesa intransigente de uma companhia que já não é capa de jornal nem
de telejornal há largos meses pela gestão deles. Isto é uma diferença
muito grande. Temos ouvido falar da SATA pela ingestão do Governo, mas
não pela falta de gestão deste conselho de administração”, reiterou,
quando questionado sobre a independência da gestão, tendo em conta que a
administração é nomeada pelo Governo Regional (PS).
O candidato considera que tem de haver um emagrecimento de funcionários
na companhia e a contratação de alguns quadros necessários, recusando
falar em “despedimentos”, mas apontando, por exemplo, acordos para
reformas antecipadas. “Despedimento se
calhar é uma palavra muito forte, mas temos de perceber que há muita
gente aqui que foi metida pelo aparelho partidário e pelo Governo
Regional e que faz pouco ou nada na companhia”, acusou.
A SATA, empresa pública açoriana, é composta pela SATA Air Açores
(responsável pelas ligações interilhas) e pela Azores Airlines (que
opera entre a região e o exterior). As
duas transportadoras aéreas do grupo fecharam o primeiro semestre com
prejuízos de cerca de 42 milhões de euros, que comparam com perdas de
33,5 milhões no período homólogo, indicam documentos oficiais a que a
Lusa teve acesso. As próximas eleições para o parlamento açoriano decorrem no domingo.
Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4%
dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional,
contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e
7,1% do CDS-PP (quatro mandatos). O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um. O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.