Alho da Graciosa registado com Indicação Geográfica Protegida
23 de nov. de 2021, 17:35
— Lusa/AO Online
“Esta
denominação é muito importante para o produto e para a própria ilha”,
sublinhou, em declarações à Lusa, o presidente da Associação de
Agricultores da Ilha Graciosa, João Picanço.O
registo da denominação do alho da Graciosa como IGP foi hoje publicado
no Jornal Oficial da União Europeia, depois de o pedido, publicado em
agosto, não ter recebido qualquer "declaração de oposição".João
Picanço defendeu que o segredo da qualidade do alho da Graciosa está
nos terrenos, que “têm outras características” e que fizeram com que a
ilha ficasse conhecida, no passado, como “o celeiro dos Açores”.Desde
que a candidatura à denominação IGP começou a ser trabalhada a procura
pelo alho da Graciosa tem vindo a aumentar, mas a produção nem sempre
consegue dar resposta, segundo o presidente da associação.“Desde
que se fala nisto tem havido mais procura, mas este ano não tem havido
oferta”, avançou, acrescentando que a cooperativa da Graciosa não
recebeu alho para comercialização em 2021.Apesar
de o número de produtores de alho ter “aumentado”, a produção em 2021
“foi muito fraca”, sobretudo devido às pragas que se têm registado.“Há qualquer coisa que não está a funcionar bem”, alertou João Picanço, apelando à intervenção do executivo açoriano.“Penso que a Secretaria [Regional da Agricultura] tinha de nomear uma equipa técnica para cuidar disso”, acrescentou.Contactado
pela Lusa, o secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento
Rural, António Ventura, disse que o executivo açoriano está já a criar
um programa para os produtos com denominação da União Europeia “com
acompanhamento técnico, avisos fitossanitários, valorização do mercado e
diferenciação fiscal”.“Queremos dar um
foco muito grande a estes produtos únicos do mundo, reconhecendo-os
também na nossa estratégia de valorização da criação de riqueza. Passa
por utilizar aquilo que é a nossa diferenciação. Temos de associar
diferenciação a competitividade”, frisou.Para
António Ventura, esta qualificação comunitária “não tem importância só
para a Graciosa, mas para os Açores”, e pode contribuir para “a criação
de emprego e a fixação de pessoas” no arquipélago.“A
nossa estratégia agroprodutiva de valorização dos nossos agroalimentos
passa muito pelo incentivo à produção destes mesmos alimentos, que são
considerados juridicamente e nutricionalmente únicos”, revelou.O
governante considerou que o reconhecimento do alho da Graciosa como IGP
vai trazer um “impulso” à produção e “vai fazer com que os mercados
reajam de forma diferente”.“Estes produtos
qualificados são os únicos que conseguem ter acesso aos mercados
internacionais por via dos acordos bilaterais e multilaterais da União
Europeia”, afirmou.Esta “diferenciação” do alho da Graciosa poderá também contribuir para a sua valorização comercial, segundo António Ventura.“Para
se produzir estes produtos é preciso ter rendimento. As pessoas que o
produzem têm de ter rendimento, têm de ter lucro”, reforçou.O alho da Graciosa junta-se agora a outros dois produtos regionais com selo IGP: a carne dos Açores e a meloa de Santa Maria.Com Denominação
Origem Protegida (DOP) existem na região o ananás dos Açores, o mel dos
Açores o queijo de São Jorge, o queijo do Pico e o maracujá de São
Miguel.Está ainda a decorrer o processo de integração nesta lista da carne do Ramo Grande e da manteiga dos Açores.Segundo
o executivo açoriano, o alho da Graciosa, da espécie ‘Allium sativum
L’, tem “um aroma de intensidade média/baixa mesmo sem ser esmagado” e
um “sabor de intensidade alta, muito agradável e com pouca
persistência”.Tem ainda “valores elevados
de zinco (superiores a sete miligramas por quilo), ferro (superiores a
oito miligramas por quilo) e alicina (superiores a 3.500 miligramas por
quilo)”, que lhe dá “características conservantes dos alimentos”.