"Alguma coisa correu mal" no surto de "legionella" no São Francisco Xavier
6 de nov. de 2017, 08:24
— Lusa/AO Online
"Tendo sido
seguidas as melhores práticas, alguma coisa correu mal. A mim, o que me
incumbe enquanto responsável político é perceber que - pela evidência
dos relatos, pela primeira aproximação aos factos, o que foi dito e
visto é que todos os procedimentos foram seguidos de acordo com as
melhores práticas - ainda assim alguma coisa correu mal", disse
Adalberto Campos Fernandes.Até
ao momento foram diagnosticados desde 31 de outubro 26 pessoas
infetadas com doença dos legionários, conhecida também por ‘legionella’,
relacionadas com o hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.Dos
26 casos até agora diagnosticados, um doente encontra-se numa unidade
de saúde privada, outro teve alta, um terceiro está no Hospital Pulido
Valente, dois na unidade de cuidados intensivos do hospital São
Francisco Xavier e os restantes encontram-se internados no hospital Egas
Moniz."Portanto,
é muito simples. Todos terão de perceber que a nossa obsessão neste
momento é perceber o porquê de, tendo sido cumpridos os procedimentos,
[alguma coisa] ter corrido mal. E não descansaremos enquanto essa
identificação daquilo que correu mal não seja conhecida", disse o
ministro em conferência de imprensa no hospital São Francisco Xavier.As
declarações do ministro surgem um dia depois de a Diretora-Geral de
Saúde, Graça Freitas, ter declarado que "nada falhou" na prevenção e nas
medidas de controlo da infeção com a bactéria "Legionella" no hospital,
já que "nem sempre as melhores medidas conseguem contrariar esta
dinâmica das bactérias".Hoje,
o ministro da Saúde deu duas semanas à Direção-Geral de Saúde e ao
Instituto Nacional de Saúde Dr Ricardo Jorge (INSA) para que "habilitem o
governo com um relatório detalhado, que seja do conhecimento público",
para apurar a forma como as coisas correram.No fundo, disse Adalberto Campos Fernandes, trata-se de "responder a esta questão muito simples"."Tendo
tudo sido feito de acordo com as normas, o que é que (…) correu menos
bem, para que nos víssemos confrontados com um surto que é real, existe,
e que não pode em nenhuma circunstância ser dissimulado ou diminuído",
realçou o responsável.O ministro disse que está a acompanhar a situação, tal como o resto do Governo, "a evolução dos acontecimentos de hora a hora"."Queremos perceber o que aconteceu e ter condições para que nunca mais aconteça", sublinhou.O
ministro deixou ainda uma mensagem de tranquilidade aos utentes dos
hospitais e manifestou "confiança nos técnicos" e na atuação que tiveram
no Hospital São Francisco Xavier."Transmitiram-me que a fonte emissora está controlada", disse Adalberto Campos Fernandes.O ministro deixou ainda um aviso: os relatórios agora pedidos "não são para encher calendário"."Quando
digo falha, significa qualquer tipo de avaliação técnica ou
procedimento, e sobre essa matéria que fique muito claro: os relatórios
que foram pedidos não são para encher calendário. São para apurar
efetivamente aquilo que aconteceu, se se deveu a um imponderável de
natureza técnica, até climática e ambiental, a um procedimento que
deveria ser feito e não foi. Isso tem de ser avaliado com distanciamento
e independência", concluiu.No final dos relatórios, disse, o Governo estará "para apurar se alguma coisa correu mal ou não"."A
minha obrigação enquanto responsável político é fazer a demonstração
positiva de que nada falhou. E não vou dizer agora que nada não tenha
falhado. Como não tenho a certeza que nada falhou, também não tenho a
certeza de que não tenha falhado", reiterou.