Alexandre Fonseca suspende funções executivas em prol da atividade do grupo Altice
17 de jul. de 2023, 09:10
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, "o grupo Altice vem tornar público que o seu atual co-Ceo,
Alexandre Fonseca, comunicou ao grupo que acionou a suspensão das suas
funções no âmbito das atividades empresariais executivas e não
executivas de gestão do grupo em diversas geografias, incluindo as
posições de 'chairman' em diversas filiais", após uma investigação do
Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do MP.Com
esta sua decisão, Alexandre Fonseca "pretende de forma inequívoca
proteger os interesses do grupo Altice, e todas as suas marcas num
processo que é público onde, aparentemente, são indiciados atos a
investigar ocorridos no período em que este exerceu as funções
executivas de presidente da Altice Portugal", refere o grupo. "Esta
postura de Alexandre Fonseca contextualiza-se num ato responsável no
caminho para o cabal esclarecimento da verdade", adianta."Esta
é uma decisão que o grupo Altice aceita e valoriza, pois auxilia a
salvaguarda da prossecução da sua atividade empresarial e promove a
defesa dos princípios da transparência, e da inequívoca colaboração no
apuramento dos factos", conclui o grupo que detém a Altice Portugal,
dona da Meo.Alexandre Fonseca deixou a
presidência executiva da Altice Portugal em abril do passado, passando a
ter funções executivas internacionais no grupo, acumulando com o cargo
de 'chairman' na subsidiária portuguesa.De
acordo com o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)
do MP, a operação desencadeada na quinta-feira, que levou a três
detenções, contou com cerca de 90 buscas domiciliárias e não
domiciliárias, entre as quais instalações de empresas e escritórios de
advogados em vários pontos do país.Em
causa está, alegadamente, uma “viciação do processo decisório do grupo
Altice, em sede de contratação, com práticas lesivas das próprias
empresas daquele grupo e da concorrência”, que apontam para corrupção
privada na forma ativa e passiva. As autoridades destacam ainda que a
nível fiscal o Estado terá sido defraudado numa verba “superior a 100
milhões de euros”. A investigação indica
também a existência de indícios de “aproveitamento abusivo da taxação
reduzida aplicada em sede de IRC na Zona Franca da Madeira” através da
domiciliação fiscal fictícia de pessoas e empresas. Entende o Ministério
Público que terão também sido usadas sociedades offshore, indiciando os
crimes de branqueamento e falsificação.Nas
buscas, o DCIAP revelou que foram apreendidos documentos e objetos,
"tais como viaturas de luxo e modelos exclusivos com um valor estimado
de cerca de 20 milhões de euros".