Alexandra Leitão considera que houve falta de coesão e solidariedade no Governo
TAP
24 de abr. de 2023, 07:26
— Lusa/AO Online
Alexandra Leitão
falava no programa "O Princípio da Incerteza", na CNN Portugal, sobre
as declarações, primeiro, das ministras Adjunta e dos Assuntos
Parlamentares, Ana Catarina Mendes, e da Presidência, Mariana Vieira da
Silva, a justificar o não envio de um alegado parecer jurídico à
comissão parlamentar de inquérito sobre TAP e, depois, do ministro das
Finanças, Fernando Medina, a negar a existência de qualquer parecer
adicional ao da Inspeção-Geral de Finanças (IGF).A
deputada do PS começou por referir: "Eu não sei se há um parecer, um
documento, não sei, e portanto não vou aqui falar de verdade e de
mentira. Vou aqui falar de contradições"."Acho
que seja qual for esse documento, espero que haja alguma explicação em
breve, porque não acredito que nenhuma delas [Ana Catarina Mendes e
Mariana Vieira da Silva] estivesse a mentir", afirmou a antiga ministra,
no final da sua intervenção sobre esta matéria.No
seu entender, "houve aqui uma contradição, uma contradição que revela
falta de coesão e também falta de solidariedade interna do Governo".Alexandra
Leitão, que foi ministra da Modernização do Estado e da Administração
Pública, criticou a "circunstância de o ministro Fernando Medina no dia
seguinte, não podendo obviamente ignorar o que as duas colegas de
Governo tinham dito na véspera", tenha declarado "daquela forma
absolutamente perentória que não existia algo a que as suas colegas de
Governo se tinham referido"."Há aqui uma
contradição que não só era obviamente evitável, como até parece quase
fazer pouco caso do que as colegas anteriores tinham dito. Quer dizer,
não podia ignorar", considerou.Interrogada
se houve falta de coesão ou de solidariedade, respondeu: "Diria que é
um pouco as duas coisas, e de alguma coordenação também, embora aqui nem
vejo que coordenação é precisa, foram declarações feitas publicamente
por ambas as ministras"."Ainda se fossem
no mesmo dia, podia não ter ouvido, às vezes acontece. Mas no dia
seguinte, faz-me confusão que se afirme perentoriamente o oposto – não
estou a falar de verdade ou mentira, porque não sei, estou a falar de
contradições", acrescentou.A deputada
socialista admitiu que a entrevista que António Costa deu à RTP no
domingo "não fosse a sede própria" para falar desta polémica, por ter
sido dada na qualidade de secretário-geral do PS e não de
primeiro-ministro."Mas confesso que aguardo que algum desenvolvimento nesta próxima semana venha a haver que esclareça", disse.A
decisão do Governo de exonerar a presidente da Comissão Executiva da
TAP, Christine Ourmières-Widener, e o presidente do Conselho de
Administração da TAP, Manuel Beja, com a invocação de justa causa,
foi anunciada pelo ministro das Finanças, em 06 de março, com base num
relatório da IGF, por causa do pagamento de 500 mil euros feito à
ex-administradora Alexandra Reis para que deixasse a empresa.Sobre
o relatório da IGF, a deputada do PS, que é jurista, apontou-lhe "um
problema formal, que não é só formal: é que não cumpriu o problema do
contraditório"."Isso é um problema relevante", advertiu.Na
quarta-feira, em nota enviada à agência Lusa, o gabinete da ministra
Adjunta e dos Assuntos Parlamentares alegou que "o parecer em causa não
cabe no âmbito da comissão parlamentar de inquérito (CPI)" e que "a sua
divulgação envolve riscos na defesa jurídica da posição do Estado"."Por
isso mesmo, a resposta do Governo à CPI visa a salvaguarda do interesse
público", lê-se na nota do gabinete de Ana Catarina Mendes,
justificando assim o não envio desse alegado documento.No
mesmo dia, ouvida na Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da
República, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva,
argumentou que "os pedidos feitos são todos de factos que aconteceram
posteriormente à comissão de inquérito parlamentar" sobre a gestão da
TAP, "estão fora do seu âmbito"."Além
disso, estando em causa um parecer jurídico, julgamos que a defesa do
interesse público e dos interesses do Estado nesta matéria beneficiam de
poder não tornar público um conjunto de informação nesta matéria",
acrescentou.Na quinta-feira, ouvido na
Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República, o ministro
das Finanças declarou: "Não há nenhum parecer, a ideia que se criou de
que haveria um parecer… Não há nenhum parecer adicional àquilo que é a
base da justificação da demissão, que é mais do que suficiente para quem
a leu, relativamente ao parecer da IGF".