Alentejo é a região do país com maior prevalência de insuficiência cardíaca
13 de mai. de 2024, 10:12
— Lusa/AO Online
“Existe uma marcada assimetria
na distribuição nacional. Comparativamente com a região de Lisboa e Vale
do Tejo, onde se encontrou uma prevalência de 18,8%, o Alentejo tem um
risco cerca de duas vezes maior (29,2%) enquanto na região Norte o risco
é 50% menor (12,9%)”, disse à agência Lusa Cristina Gavina,
cardiologista e investigadora principal do estudo observacional Porthos.A
prevalência de insuficiência cardíaca (IC) na zona Centro situa-se nos
17,90% e no Algarve é de 6,61%, a região com o valor mais baixo, indicam
os resultados do estudo que são apresentados no Congresso da
Associação de Insuficiência Cardíaca Europeia, que decorre até
terça-feira em Lisboa, no âmbito da Semana Internacional da
Insuficiência Cardíaca.Para a
investigadora, estes dados mostram que se está perante “um problema de
saúde pública com uma dimensão muito considerável", defendendo, por
isso, ser “imperativo fazer uma reflexão sobre estes resultados e
desenhar políticas de saúde que permitam responder a este problema”.Mais
de 25 anos após a realização do último estudo nacional que avaliou a
prevalência de insuficiência cardíaca na população portuguesa, o
Porthos, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e da
AstraZeneca, em parceria com a NOVA Medical School, realça que o número
das pessoas que vivem com a doença é bastante superior ao esperado. A
investigação confirma que é uma síndrome associada ao envelhecimento,
com uma prevalência de 31% nos maiores de 70 anos, enquanto em pessoas
entre os 50 e os 59 anos é de 4%.Estima-se
que um em cada seis portugueses viva com insuficiência cardíaca, sendo
que as mulheres têm 2,3 vezes maior risco do que os homens de
desenvolver a doença. Segundo o estudo, a
maioria das pessoas tem um tipo de insuficiência cardíaca na qual o
coração tem dificuldade em relaxar, de forma a acomodar o sangue que
chega dos pulmões, denominada insuficiência cardíaca com fração de
ejeção preservada, que é mais comunm nas mulheres mais idosas,
particularmente acima dos 70 anos.A
investigação aponta que mais de 90% das pessoas desconhecem ter a
doença, sobretudo as mulheres, os maiores de 70 e os doentes com a forma
de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Cristina Gavina realça a importância da prevenção, “não só dos fatores
de risco que podem conduzir à insuficiência cardíaca, mas também de um
diagnóstico precoce de quem já tem a síndrome e não tem, por falta de
conhecimento, acesso ao tratamento”.O
estudo decorreu entre dezembro de 2021 e setembro de 2023, envolvendo
uma amostra de 6 189 pessoas com mais de 50 anos registadas no Serviço
Nacional de Saúde em Portugal Continental.A
investigação assentou num modelo inovador de investigação colaborativa,
agregando uma equipa extensa de investigadores, médicos e outros
profissionais de saúde das entidades parceiras que colaboraram entre si
no desenho e no desenvolvimento do estudo. A
síndrome de insuficiência cardíaca é um dos problemas de saúde mais
comum no mundo desenvolvido, sendo a principal causa de internamento
hospitalar acima dos 65 anos e a sua mortalidade pode chegar aos 50% ao
fim de cinco anos.