Alemanha pondera negociar com Governo talibã repatriamento de criminosos afegãos
Migrações
3 de jul. de 2025, 17:09
— Lusa/AO Online
“Gostaria
que celebrássemos acordos diretamente com o Afeganistão para permitir
os repatriamentos”, declarou Dobrindt em entrevista à revista Focus,
relativamente a um processo de deportação que a Alemanha já se tinha
comprometido em acelerar.Atualmente, os
contactos com os talibãs só são feitos através de países terceiros e
“esta não pode ser uma solução permanente”, acrescentou o ministro
conservador.Para enviar uma mensagem de
firmeza em matéria de imigração, o anterior executivo alemão do
social-democrata Olaf Scholz deportou, em 30 de agosto de 2024, um grupo
de 28 afegãos condenados por crimes, o que aconteceu pela primeira vez
desde o regresso dos talibãs ao poder, em agosto de 2021.As
autoridades alemãs tinham conduzido negociações através do Qatar, sem
dialogar diretamente com o Governo talibã, que não reconhecem.Este
processo não teve seguimento, embora responsáveis de todos os partidos
políticos tenham garantido que o Governo iria aumentar o número de
repatriamentos de requerentes de asilo afegãos que tivessem cometido
crimes na Alemanha.A Alemanha também quer
rever as suas práticas em relação aos cidadãos sírios, apesar de a Síria
ter sido considerada, até agora, demasiado perigosa para autorizar
processos de repatriamento e por acrescer o facto de Berlim não manter
relações diplomáticas com Damasco, atualmente liderada por um governo de
transição após a queda do regime do antigo líder Bashar al-Assad.O
chanceler alemão Friedrich Merz disse esta semana que considerava que
“as deportações para este país [Síria] são agora possíveis”.Uma
das promessas eleitorais do novo executivo de Merz era abordar a
migração com mão firme, limitando a entrada de pessoas na Alemanha."A
Alemanha continua a ser um país aberto ao mundo. Mas a capacidade dos
nossos sistemas sociais tem limites, tal como a dos nossos sistemas
educativos. A capacidade do nosso mercado imobiliário também tem
limites", afirmou Dobrindt em 27 de junho na câmara baixa do parlamento
(Bundestag), no dia em que foi aprovada uma proposta de lei que prevê a
suspensão por dois anos do reagrupamento familiar de migrantes com
estatuto de proteção internacional."A imigração para a Alemanha também deve ter limites", defendeu o ministro na mesma ocasião. No
dia 01 de julho, a polícia federal alemã anunciou que entre 08 de maio e
30 de junho tinha impedido a entrada de mais de seis mil migrantes nas
fronteiras terrestres, sob ordens do novo governo.Dessas
pessoas, 285 foram devolvidas mesmo tendo declarado a intenção de
solicitar asilo, uma medida polémica introduzida pelo governo de Merz,
cuja legalidade já foi questionada por um tribunal de Berlim.O
Tribunal Administrativo de Berlim tinha emitido um parecer em que
considerava que “as pessoas que pedem asilo durante um controlo
fronteiriço no território alemão não podem ser reenviadas sem que o
procedimento (europeu) de Dublin tenha sido aplicado para determinar o
Estado-membro responsável pela análise do seu pedido de asilo".A
chamada Convenção de Dublin, que estabelece as regras de asilo na União
Europeia (UE) e que está em vigor desde 1997, é um procedimento que
exige a um requerente de asilo registar-se no primeiro país de entrada
na UE.