Alegada promiscuidade na saúde nos Açores pode acabar em comissão de inquérito
20 de dez. de 2019, 10:28
— Lusa/AO Online
Os partidos da oposição e a maioria PS
divergiram na Comissão Parlamentar de Assuntos Sociais sobre a
alegada promiscuidade entre ambas as entidades na aplicação do “Vale
Saúde”, uma iniciativa do Governo Regional para combater as listas de
espera do Serviço Regional de Saúde dos Açores.Após
sete horas de audição na delegação de Ponta Delgada, de São Miguel, do
parlamento regional, na sequência das declarações públicas da
responsável nos Açores pela Ordem dos Médicos, Isabel Cássio, sobre a
alegada promiscuidade, o deputado socialista José San-Bento declarou que
“quem está de boa fé neste processo ficou esclarecido”.Em
causa está uma notícia dada pela RTP/Açores segundo a qual a Clínica do
Bom Jesus, em Ponta Delgada, não trata de todo o processo cirúrgico do
programa "Vale Saúde", embora receba 100% da verba atribuída pela
região.Para o parlamentar da maioria
socialista, a resolução da questão das listas de espera para cirurgia
está a ser resolvida "com sucesso", não querendo o deputado acreditar
que esta situação “esteja a criar incómodo a alguém”.O
deputado adiantou que em sede de comissão parlamentar as acusações e
queixas que foram proferidas não foram “sustentadas com base em
informações que permitam retirar uma conclusão tão grave”, numa alusão a
Isabel Cácio, que hoje foi ouvida no parlamento, na sequência das suas
declarações, por iniciativas parlamentares do PPM, PSD e PS.Para
a deputada social-democrata Mónica Seidi, ficou “provado, de forma
clara, que o Hospital do Divino Espírito Santo permitiu o uso de
serviços de âmbito hospitalar, do erário público, em prol de uma clínica
privada”.Mónica Seidi lamentou que o PS
tenha “condenado a conduta da responsável pela Ordem dos Médicos nos
Açores”, considerando que houve “muitas questões que ficaram por
esclarecer” em todo este processo.O
deputado monárquico Paulo Estevão considerou em sede de comissão que não
sai esclarecido”, sustentando que existem nesta matéria “mecanismos de
controlo deficientes”, tendo ficado “muito por esclarecer”.Na
sua opinião, justifica-se a iniciativa que vai propor no parlamento de
se criar uma comissão de inquérito sobre a aplicação do “Vale Saúde”,
para que se tenha acesso a “toda a informação e documentação” e apurar
os factos.O deputado centrista Artur Lima
referiu que uma vez que o Hospital do Divino Espírito Santo não emite
vales de saúde mas sim a entidade gestora Saudaçor, que está em fase
final de extinção, não percebe que exista um “acordo entre o hospital e a
clínica”, questionando-se sobre porque razão “existe uma
especificidade” como esta.O também líder
do CDS/PP anunciou, entretanto, uma iniciativa parlamentar para apurar o
desempenho da Saudaçor nos últimos três anos porque considerar que a
sua performance em todo este processo foi “incompetente desde o início”.Paulo
Mendes, do BE/Açores, não ficou "inteiramente esclarecido" e referiu
que as declarações prestadas "causaram mais dúvidas" e "preocupações
sobre a relação entre o público e o privado", não tendo a Clínica de Bom
Jesues "respondido cabalmente às questões colocadas". A
secretária regional da Saúde refutou acusações de eventual
promiscuidade, considerando ser “muito estranho este tipo de acusações
porque há meios próprios e, por escrito, para se fazer este tipo de
afirmações”.Maria Teresa Luciano garantiu
no âmbito da biometria da especialidade de oftalmologia o exame “não tem
prazo de validade, estando em dia”, enquanto todos os outros exames,
“quando acontecem são faturados à entidade que realiza o ‘Vale Saúde’”.Questionada
sobre os exames que foram efetuados no Hospital do Divino Espírito
Santo e dos quais o Conselho de Administração não tinha conhecimento,
apesar deste ser um “número reduzido” vai ser despoletado um processo
interno de inquérito para agir em conformidade.