Álcool e canábis são substâncias psicóticas mais consumidas por jovens
26 de jul. de 2019, 15:53
— Lusa/AO online
O estudo de
caracterização do consumo de substâncias psicóticas na Região Autónoma
dos Açores envolveu cerca de 12 mil adolescentes, abrangendo jovens que
frequentam as escolas públicas da região.Realizado
a pedido do Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da
Saúde, este estudo iniciou-se em 2017 e foi elaborado por uma equipa da
Universidade dos Açores, coordenada pela investigadora Célia Carvalho.Durante
a investigação foi realizada uma análise qualitativa do consumo de
substâncias psicoativas e uma análise descritiva dos comportamentos.Em
declarações aos jornalistas, à margem da apresentação do estudo, em
Ponta Delgada, a coordenadora do trabalho disse que o álcool é a
substância mais consumida, enquanto a canábis é a segunda substância com
maior percentagem experimental entre os adolescentes.“Em
termos de comportamentos de consumo de substâncias a grande conclusão é
que não estamos tão mal como pensávamos quando iniciámos o estudo. Foi
muito importante termos a possibilidade de fazermos este estudo massivo
com todos os adolescentes, mas há muito caminho para andar e estamos em
condições de fazer esse caminho”, referiu a professora da Universidade
dos Açores Célia Carvalho.A psicóloga
adiantou que o estudo aponta um dado que “surpreendente”, com “os
adolescentes a queixarem-se da falta de supervisão dos pais”.As
festas são apontadas no estudo como um dos fatores que levam os
adolescentes a determinados comportamentos, tendo a investigadora
frisado que uma das medidas de prevenção desenhadas pelo estudo “é a
mobilização das forças da comunidade”.
“Parece existir um sentimento de desresponsabilização e de
despreocupação” em termos da comunidade, sustentou ainda Célia Carvalho,
indicando que o estudo sugere 10 estratégias de intervenção, entre as
quais a criação de comissões de acompanhamento em que todos os cidadãos e
agentes da sociedade têm um papel ativo para a criação de medidas
preventivas, incluindo nas escolas. Célia
Carvalho salientou, por outro lado, que no caso da mais pequena ilha dos
Açores, o estudo permitiu aferir que no Corvo "a escola acaba por ser
um fator de proteção" para um menor consumo. “As
medidas apresentadas no estudo vão desde o envolvimento comunitário ao
reconhecimento de que de facto tem de haver legislação e políticas que
sejam restritivas destes consumos”, acrescentou.A
secretária regional da Saúde sublinhou estar-se perante “um importante
estudo", destacando que "é o primeiro com uma abrangência de 12 mil
jovens e que permite um retrato da situação existente”."É
importante salientar que, entre as 10 medidas, muitas delas já estão a
ser implementadas com muitas das ações no terreno", sublinhou a titular
pela pasta da Saúde nos Açores, em declarações aos jornalistas.Teresa
Luciano lembrou ainda que "este ano os Açores, e pela primeira vez a
nível nacional, publicaram um decreto-lei relativo ao álcool em que só a
partir dos 18 anos é que é permitido o consumo" e sublinhou ainda que
"os pais são responsabilizados nessa medida".