Albuquerque vai responder por escrito ao parlamento
Incêndios/Madeira
3 de set. de 2024, 11:28
— Lusa/AO Online
“Eu
vou fazer a resposta nos termos do regimento [do parlamento regional],
como sempre respondi, que é por escrito. Como é habitual nas comissões, a
prerrogativa do presidente do governo é responder por escrito, portanto
vou responder por escrito, como fiz nas outras comissões”, explicou. Miguel
Albuquerque (PSD) falava aos jornalistas no Funchal, à margem da
cerimónia de abertura da final nacional do “Poliempreende”, um concurso
de ideias de negócio, com projetos desenvolvidos por estudantes,
diplomados ou docentes do ensino politécnico das instituições de ensino
superior.O chefe do executivo afirmou que
ao responder por escrito não está a “fugir ao confronto”, mas apenas a
cumprir o “disposto na lei e nos regulamentos”, e sublinhou que o seu
executivo vai “esclarecer cabalmente como é que os incêndios foram
tecnicamente combatidos”. O requerimento
para a audição de Miguel Albuquerque e também do secretário da Saúde e
Proteção Civil, Pedro Ramos, bem como do presidente do Serviço Regional
de Proteção Civil, António Nunes, é da autoria do JPP e foi aprovado em
comissão parlamentar com os votos favoráveis do proponente (dois votos),
outros dois do PS, um do CDS-PP e a abstenção dos quatro deputados do
PSD.O JPP argumenta que “Miguel
Albuquerque e Pedro Ramos têm de ser responsabilizados” do ponto de
vista político e também “pelo elevado grau de negligência, pelo desnorte
patenteado e pela ausência de decisões atempadas, que colocaram em
sério risco a vida de populações e animais”.O
parlamento regional é constituído por 19 deputados do PSD, 11 do PS,
nove do JPP, quatro do Chega, dois do CDS-PP, um da IL e um do PAN.A
audição parlamentar ainda não foi agendada, mas Miguel Albuquerque
manifesta-se disponível para prestar todos os esclarecimentos e critica
os partidos da oposição, nomeadamente o PS, por utilizarem os incêndios
para “fazer chicana política”.“Eu acho que
esta é uma questão séria, que deve ser tratada com seriedade, ninguém
quer fugir a nada. Agora, isto não é o circo. Nós estamos a falar de
profissionais, de brio profissional, de competência e, sobretudo, de
organização técnica”, disse, para logo reforçar: “Os incêndios não se
combatem com demagogias, combatem-se com pessoas habilitadas, formadas
para fazê-lo.”O chefe do executivo
minoritário social-democrata disse ainda que não vai “pôr em causa
profissionais competentes”, com um importante currículo ao serviço do
arquipélago, por razões de “chicana política”.“As pessoas não passam de bestiais a bestas em dois minutos por razões políticas”, declarou. O
incêndio rural na ilha da Madeira deflagrou em 14 de agosto nas serras
do município da Ribeira Brava, propagando-se progressivamente aos
concelhos de Câmara de Lobos, Ponta do Sol e Santana. No dia 26, ao fim
de 13 dias, a Proteção Civil regional indicou que o fogo estava
“totalmente extinto”.Dados do Sistema
Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais apontam para mais de
5.104 hectares de área ardida, embora as autoridades regionais tenham
sinalizado 5.116.Durante os dias em que o
fogo lavrou, as autoridades deram indicação a perto de 200 pessoas para
saírem das suas habitações por precaução e disponibilizaram equipamentos
públicos de acolhimento, mas muitos moradores foram regressando a casa.O
combate às chamas foi dificultado pelo vento e pelas temperaturas
elevadas, mas, segundo o Governo Regional, não há registo de feridos ou
da destruição de casas e infraestruturas públicas essenciais, embora
algumas pequenas produções agrícolas tenham sido atingidas, além de
áreas florestais.