Albuquerque diz que negociação do V regime da Zona Franca já começou em Bruxelas
2 de jun. de 2023, 19:04
— Lusa
“A
decisão que tomámos na altura foi a decisão mais lógica e visava, no
fundo, aquilo que acabou de acontecer”, disse Miguel Albuquerque,
referindo-se ao facto de a Comissão Europeia ter anunciado, na
quinta-feira, que arquivou o processo contra o Estado português relativo
à prorrogação, em 2017, da gestão da Zona Franca à Sociedade de
Desenvolvimento da Madeira (SDM) por ajuste direto. Na
altura, a operação foi considerada "ferida de ilegalidade" porque não
ter observado as regras das concessões de serviços públicos, já que o
capital social da SDM era então maioritariamente privado.O
Governo Regional (PSD/CDS-PP) decidiu, por isso, avançar com a
aquisição da totalidade do capital social da SDM, situação que se
concretizou em 2021, e agora motivou o arquivamento do processo movido
pela Comissão Europeia contra o Estado português. Miguel
Albuquerque, que falava à margem da inauguração do Mercado Quinhentista
de Machico, na zona leste da ilha, adiantou, por outro lado, que já
teve início a negociação para o V regime do Centro Internacional de
Negócios da Madeira (CINM), também designado por Zona Franca. “Já
fizemos as démarches iniciais em Bruxelas, sobretudo junto de técnicos
da Comissão. Neste momento, tudo se encaminha para fazermos uma boa
negociação do próximo regime”, afirmou. O
governante explicou que um dos objetivos do executivo é, através do
regime de benefícios fiscais da Zona Franca, apostar na atratividade de
empresas tecnológicas e ligadas aos setores da transição energética.O
Centro Internacional de Negócios da Madeira inclui três áreas
investimento - a Zona Franca Industrial, o Registo Internacional de
Navios e os Serviços Internacionais - e opera com base num regime
especial de benefícios fiscais concedido pela União Europeia, estando em
vigor o IV regime, que terminou em 2020, mas produz efeitos até 2027.Entretanto,
na sequência da pandemia de covid-19, a Comissão Europeia autorizou o
licenciamento de novas empresas até 2023, ao abrigo do Regime Geral de
Isenções por Categorias (RGIC), mas o Governo português optou por
aplicar a medida comunitária ano a ano.O
CINM conta com mais de 2.400 empresas registadas, que são responsáveis
por 82% do volume de exportações da região, gerando receitas fiscais na
ordem dos 100 milhões de euros, e representam cerca de 6.000 postos de
trabalho diretos e indiretos.