Albuquerque diz que declarações do primeiro-ministro sobre subsídio de mobilidade são "ofensivas"
Hoje 12:22
— Lusa/AO Online
“São
declarações ofensivas para a população da Região Autónoma da Madeira e
refletem um certo alheamento do que os madeirenses estão a passar neste
momento”, disso o líder do Governo madeirense, o social-democrata Miguel
Albuquerque, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita a
uma empresa no Funchal.Na quarta-feira,
durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, reafirmou o princípio de que as
ajudas do Estado devem implicar que os cidadãos não estão em
incumprimento com a administração.Miguel Albuquerque considerou que o Governo da República está a
“insistir num erro”, sendo necessário fazer “uma retificação, uma
mudança substancial daquilo que foi aprovado”.“Ontem
[quarta-feira], foi aprovada [no parlamento regional] a proposta de lei
com urgência à Assembleia da República no sentido de revogar todas
aquelas normas que estavam lá consubstanciadas, quer esta exigência
absurda das certidões das Finanças e da Segurança Social, quer o teto
para a viagem em sentido único que vem trazer constrangimentos enormes
às famílias que têm filhos a estudar no continente”, salientou.Insistindo
que é necessário “ter a noção do que é que se passa”, Miguel
Albuquerque acrescentou que o executivo regional (PSD/CDS-PP) está a
aguardar até dia 31 por um contacto com o Governo da República para
resolver a situação. Criado em 2015, o
subsídio social de mobilidade garante passagens aéreas entre a Madeira e
continente (ida e volta) a 79 euros para residentes e 59 euros para
estudantes, mas implica o pagamento do bilhete na totalidade, até ao
teto máximo de 400 euros, valor que por vezes é ultrapassado pelas
companhias, sendo que o reembolso é processado após a viagem.No
caso dos Açores, o valor máximo pago é de 119 euros para residentes no
arquipélago e 89 para estudantes, havendo um limite de 600 euros no
custo elegível da passagem e sendo também necessário pagar primeiro a
totalidade do valor no ato de compraO novo
regime do subsídio social de mobilidade, que entrou em vigor em 06 de
janeiro, impõe a obrigatoriedade de ausência de dívidas ao fisco e à
Segurança Social para aceder ao subsídio de mobilidade, uma norma
entretanto suspensa até 31 de janeiro.O
líder do executivo regional disse ainda que tem falado sobre a questão
do subsídio de mobilidade com vários responsáveis e abordou o tema no
Conselho de Estado, mas o Governo da República “persiste no erro e a
única maneira é levar a proposta de lei à Assembleia da República e ser
aprovada”, sendo que “o cerne da questão é político”.“Há
aqui um problema que é este: nós tínhamos um sistema que, apesar dos
seus defeitos, funcionava e estava a funcionar há bastante tempo.
Introduziram mecanismos no sistema que não são admissíveis do ponto de
vista constitucional e de discriminação dos cidadãos da Madeira, como
são muito mais complicados e são muito limitativos aquilo que existia”,
argumentou.Miguel Albuquerque criticou
também a penalização para as famílias que têm filhos a estudar no
continente com a introdução do teto de 200 euros nas viagens de um
sentido, sendo “preciso adaptar a lei aquilo que é uma realidade”.“A
pior coisa que pode acontecer na política, quando se está no exercício
do poder, é viver numa bolha, tem que se olhar para a realidade”,
salientou, realçando que o problema está a gerar um “descontentamento
que está a prejudicar imenso a imagem do Governo nacional que até
começou bem nesta questão da mobilidade fazendo a redução das tarifas”.Ainda
segundo o presidente do governo madeirense, “agora é preciso acabar com
os experimentalismos e passar para uma solução consistente”, o que pode
passar por continuar com o regime anterior ou optar-se por um sistema
como o que vigora nas Canárias, onde os residentes pagam já o valor das
viagens com desconto.“Mas, isso obriga a
um acordo com os bancos para financiarem as companhias quando isso
acontecer”, acrescentou, insistindo ser necessário “começar a fazer um
trabalho consistente, não andar a insistir no erro”, já que “o erro leva
a penalização política”.