Albuquerque desvaloriza taxa de risco pobreza na Madeira e defende revisão de critérios
4 de jun. de 2025, 14:25
— Lusa/AO Online
“Eu acho
que é extraordinário. Ontem [terça-feira] tivemos a ratificação do PIB
[Produto Interno Bruto], que está 108% da média nacional e, obviamente,
essa questão do risco de pobreza é melhor começarem a rever os critérios
porque ninguém acredita nisso”, afirmou o governante. Miguel
Albuquerque falava aos jornalistas à margem de uma visita à Empresa de
Cervejas da Madeira, no concelho de Câmara de Lobos, após ser
questionado sobre o relatório “Portugal Balanço Social 2024”, hoje
apresentado em Lisboa e no qual a Madeira surge em segundo lugar no que
diz respeito à taxa de risco de pobreza. O
presidente do executivo insular desvalorizou, argumentando com o facto
de a Madeira ter um PIB superior à média nacional e deu o exemplo de
outras ilhas que têm valores superiores.“As
Canárias têm um índice de pobreza superior ao nosso, a Sardenha, toda a
gente sabe o que é a Sardenha, tem um valor superior ao nosso, a
Sicília também, portanto há qualquer coisa aí”, disse.“Os
riscos de pobreza não têm a ver com a pobreza, são os critérios que são
utilizados e não podemos confundir essa situação com aquilo que é a
realidade de cada uma das regiões”, considerou ainda.O
relatório explica que a taxa de risco de pobreza (depois de
transferências sociais) é a proporção da população que vive com
rendimentos abaixo do limiar de pobreza e que 16,6% das pessoas
encontravam-se em risco de pobreza no país, uma redução de 0,4 pontos
percentuais face ao ano anterior. Segundo o
relatório, Portugal tem quase 1,8 milhões de pobres, e a prevalência de
pobreza é maior nas regiões autónomas, onde é também maior a privação
material e social e os valores de desigualdade.“A
taxa de pobreza está quase oito pontos percentuais acima da média
nacional nos Açores, a região com maior taxa de pobreza em Portugal, e
quase três pontos percentuais acima da média nacional na Madeira e na
Península de Setúbal”, indica o documento, ressalvando, no entanto, que a
taxa de pobreza nas regiões autónomas diminuiu entre 2023 e 2024.