Albuquerque compara proposta de coligação do PS a uma noiva feia abandonada à porta da igreja
11 de dez. de 2024, 15:23
— Lusa/AO Online
“Isso
faz lembrar aquelas noivas feiinhas que ficaram à porta da igreja sem
nenhum noivo. Ninguém quer a noiva. Toda a gente rejeitou”, disse o
chefe do executivo social-democrata minoritário.Miguel
Albuquerque falava à margem de uma visita ao Arquivo e Biblioteca da
Madeira, no Funchal, onde foi apresentado o projeto de ampliação da
infraestrutura, que deverá custar entre 25 e 30 milhões de euros,
cofinanciado por fundos comunitários.O
PS/Madeira, o maior partido da oposição regional, confirmou que o
líder Paulo Cafôfo endereçou convites ao JPP, IL, PAN e BE para criar
uma solução governativa para a região, mas estes consideraram a solução
“extemporânea”.“Isso, de facto, demonstra
uma situação de grande inabilidade política, mas também não sou eu que
chefio esse partido”, disse Miguel Albuquerque.O
chefe do executivo insular reagiu também aos novos cartazes de grandes
dimensões do PS/Madeira, que consistem numa fotomontagem com a sua
imagem, sentado numa praia de areia, com um copo na mão e um grande
sorriso, numa alusão ao facto de ter regressado às férias no Porto Santo
durante o incêndio de agosto, com a inscrição “Isto tem de acabar.
Vamilhá [termo regional que significa ‘vamos lá’], Madeira!”“Eu
acho que são cartazes na linha daquilo que têm sido as propostas dos
partidos mais populistas e mais radicais, mas eu não levo a sério muito
desta situação”, disse, acrescentando: “O que levo a sério é o que está
subjacente a esses cartazes, que é uma situação de irresponsabilidade e,
sobretudo, de levar a Madeira, através dessa mesma irresponsabilidade,
para uma situação que vai prejudicar a população e setores mais
vulneráveis da nossa sociedade”.Miguel
Albuquerque referia-se ao chumbo na segunda-feira do Orçamento da
Madeira para 2025 e enumerou algumas medidas que, por consequência,
ficarão sem efeito, como as progressões e atualização salarial dos
funcionários públicos e a atualização do subsídio de insularidade.“Isso
é que tem de preocupar as pessoas, não é a questão dos cartazes. Isso é
uma questão de somenos importância”, disse, para logo reforçar: “É
importante apenas na perspetiva que começámos a ter de um Partido
Socialista que, neste momento, está a se radicalizar e a entrar nesta
senda que hoje se fala de forma recorrente, que é o populismo barato e
demagógico”.Considerando que “toda a gente
na Madeira” vai ficar prejudicada com o chumbo do Orçamento, o chefe do
executivo insular reconheceu que a moção de censura ao Governo Regional
apresentada pelo Chega, com discussão e votação no dia 17 dezembro,
deverá ser aprovada.“Eu não vivo de
esperanças, eu vivo da realidade”, disse, sublinhando: “Eu tenho de
estar preparado para todos os cenários, mas eu vivo da realidade. Depois
do que aconteceu no Orçamento, há uma grande probabilidade de a moção
de censura ser aprovada”.Albuquerque
reiterou, no entanto, que, em caso de eleições antecipadas, o eleitorado
vai penalizar os partidos que tomaram decisões que “nada têm a ver com
os interesses públicos” e que classifica de “irresponsáveis, fortuitas e
caóticas”.As propostas de Orçamento e
Plano de Investimentos para 2025 apresentadas pelo Governo da Madeira
foram rejeitadas na segunda-feira, após discussão na generalidade, um
chumbo que aconteceu pela primeira vez no parlamento regional.As
propostas mereceram os votos contra de PS, JPP, Chega, IL e PAN. PSD e
CDS-PP, que têm um acordo parlamentar, insuficiente para garantir a
maioria absoluta, foram os únicos a votar a favor.O
chumbo do Orçamento não implica a demissão do Governo, mas significa
que a região será governada em regime de duodécimos em 2025 ou até que
novos documentos sejam apresentados e aprovados.