Ajuda pública ao desenvolvimento atingiu nível recorde com guerra na Ucrânia
12 de abr. de 2023, 17:46
— Lusa
Segundo a Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), “para situações
excecionais apoios excecionais”, pelo que a guerra na Ucrânia, iniciada a
24 de fevereiro de 2022 com a invasão russa, subiu significativamente
as despesas de apoio a Kiev, a que se acrescentam os montantes
destinados aos países que têm acolhido refugiados do conflito e de todos
os restantes confrontos no mundo.A OCDE,
com sede em Paris, salientou que se trata do quarto ano consecutivo de
progressão da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD), destacando, no
entanto, que o aumento de 13,6% registado em 2022 é um dos maiores e
mais fortes da história deste mecanismo.O
Comité de Assistência ao Desenvolvimento (CAD da OCDE) reúne os
principais doadores de assistência financeira do mundo, nomeadamente os
Estados Unidos, a União Europeia (UE) e o Japão.“Este
aumento em 2022 deve-se principalmente a uma forte subida das despesas
relacionadas com o tratamento e acolhimento de refugiados” nos países de
destino dos refugiados, explicou o secretário-geral da OCDE, Mathias
Cormann, na conferência de imprensa em que apresentou o relatório anual
da organização.Essa ajuda aos refugiados
mais do que duplicou num ano, passando de 12.800 milhões de dólares
(11.646 milhões de euros) em 2021 para 29.300 milhões (26.660 milhões de
euros) em 2022. Atualmente, prosseguiu o representante, representa 14,4% do valor total da ajuda ao desenvolvimento.Fora desta vertente da ajuda internacional, a progressão dos apoios dos Estados é de 4,6%, indicou a OCDE.O
apoio à Ucrânia, em guerra desde fevereiro de 2022, é a outra razão
para as estatísticas crescentes, escreveu a organização no relatório, em
que destaca que a ajuda financeira a Kiev passou de 918 milhões de
dólares (835 milhões de euros) em 2021 para 16.100 milhões de dólares
(14.650 milhões de euros) em 2022.Segundo a
OCDE, anunciam-se já para os próximos anos avultados financiamentos
internacionais, públicos e privados, para apoiar a reconstrução da
Ucrânia, estimada pelo Banco Mundial (BM) em 411.000 milhões de dólares
(375.000 milhões de euros), numa altura em que a guerra ainda prossegue
no terreno. Em 2022, os Estados Unidos
continuaram a ser o principal fornecedor de ajuda pública ao
desenvolvimento, com 55.300 milhões de dólares (50.315 milhões de
euros), ou seja, um quarto da ajuda total, à frente da Alemanha (35.000
milhões de dólares – 31.900 milhões de euros), Japão (17.500 milhões de
dólares – 15.920 milhões de euros) e França (15.900 milhões de dólares –
14.470 milhões de euros).A APD de
Portugal atingiu os 480 milhões de euros em 2022, segundo os dados do
relatório da OCDE, mais 100 milhões do que em 2021, o que o torna o 23.º
maior doador.Embora a ajuda à Ucrânia
tenha disparado, a ajuda dedicada à África foi revista em baixa em 2022
por todos os países desenvolvidos, mostrou ainda o relatório da OCDE. De
acordo com o documento, totalizou 29.000 milhões de dólares (cerca de
26.000 milhões de euros), caindo 7% em todo o continente africano e 7,8%
na África subsaariana.“Se o acolhimento
dos refugiados nos nossos territórios é um imperativo moral absoluto,
não se deve fazê-lo em detrimento das populações mais pobres do mundo”,
reagiu Maé Kurkjian, jurista da organização não-governamental (ONG) ONE,
recordando a “inédita convergência das crises climática e económica"
nesses países.No panorama geral, o apoio
financeiro dos países-membros do CAD atingiu 0,36% do Produto Nacional
Bruto (PNB), longe dos 0,7% estabelecidos pelas Nações Unidas. A OCDE argumenta, porém, que a atual percentagem (0,36%) representa o maior patamar registado pelo CAD em 40 anos.