"Ajuda europeia não foi pedida por indisponibilidade de meios de combate"
Incêndios
18 de ago. de 2022, 15:17
— Lusa/AO Online
“Não houve o
acionamento do mecanismo em virtude de ter sido já acionado por outros
países e os meios estarem já a ser empenhados noutros países”, disse
André Fernandes, salientando que o mecanismo europeu de proteção civil é
usado segundo a disponibilidade dos meios existentes.Ainda
segundo André Fernandes, foram feitos “contactos com os diferentes
estados” através do contacto direto português em Bruxelas, onde está a
sede do mecanismo. “Outros países também estiveram envolvidos com grandes incêndios e, portanto, não houve essa disponibilidade”, acrescentou.De
qualquer forma, foi acionado um protocolo com Espanha, pelo que o fogo
na serra da Estrela teve “nalguns dias a ajuda bilateral com Espanha com
aviões ‘canadair’”.Na semana passada,
também o primeiro-ministro, António Costa, salientou que não foram
usados mais meios aéreos provenientes do mecanismo europeu porque “os
países estão hoje com menor disponibilidade de partilha de meios” dado
que os incêndios decorrem até em territórios onde eram raros, como na
Alemanha, além de não existirem meios europeus próprios.O
primeiro-ministro salientou que Portugal tem acionado os meios através
do mecanismo europeu “sempre que eles estão disponíveis”, mas “têm
estado pouco disponíveis” porque, “ao contrário do que acontecia
habitualmente, em que os incêndios existiam sobretudo no Sul da Europa, e
em particular em países como Portugal, ou como a Grécia ou como a
Espanha”, existe agora “uma realidade em que se tem vindo a alargar” a
ocorrência daqueles fenómenos.A União
Europeia (UE) anunciou, em comunicado, que já mobilizou neste
“verão difícil” 29 aviões, oito helicópteros, 360 bombeiros e mais de
uma centena de veículos para responder a pedidos de assistência em toda a
Europa ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil.A
Comissão Europeia acrescentou que, “além disso, o serviço de
cartografia de emergência por satélite ‘Copernicus’ da UE foi ativado
para fogos florestais 46 vezes, por 15 países” e que “cerca de 150
bombeiros da Bulgária, Roménia, Alemanha, França, Finlândia e Noruega
foram destacados para a Grécia em julho e agosto para apoiar os
bombeiros locais”."Estamos perante um
verão difícil na Europa, com mais de 700 mil hectares queimados até
agora este ano, o valor mais alto para esta época do ano desde 2006. Até
agora, o Mecanismo de Proteção Civil da UE foi ativado nove vezes por
cinco países, com um grau de solidariedade sem precedentes demonstrado
pelos estados-membros da UE”, comentou o comissário europeu responsável
pela Gestão de Crises.Portugal foi um dos estados-membros a ativar o mecanismo, em julho passado.O
executivo comunitário recordou que os estados-membros podem ativar o
mecanismo de proteção civil da UE para solicitar assistência no combate
aos incêndios florestais, apontando que este mecanismo “reforça a
resposta da proteção civil da UE, criando uma reserva que é mobilizada
quando não existem outros meios nacionais disponíveis”.O
incêndio que deflagrou no dia 06 de agosto em Garrocho, no concelho da
Covilhã, distrito de Castelo Branco, foi dado como dominado no sábado,
dia 13, mas sofreu uma reativação na segunda-feira e está hoje em fase
de rescaldo.O fogo consumiu parte substancial do Parque Natural da Serra da Estrela, uma área natural protegida e classificada pela UNESCO.