AJ da Candelária apela a mais meios para jovens e idosos
13 de jun. de 2025, 15:38
— Carlota Pimentel
A presidente da Associação de Juventude da Candelária, Nélia Viveiros,
aponta como principais desafios da instituição a dificuldade em captar o
interesse dos jovens para a participação nas atividades e as limitações
do serviço de apoio ao domicílio em dar resposta a necessidades que vão
além dos cuidados básicos, nomeadamente no apoio aos cuidadores
informais e no acompanhamento psicológico e recreativo.Em
declarações ao Açoriano Oriental, no âmbito das comemorações dos 30 anos
da associação que hoje se assinalam, a responsável sublinhou que
atualmente “é muito difícil canalizarmos a atenção e motivarmos os
jovens para a participação”.A presidente adiantou que a instituição
tem um projeto para a criação de um Centro de Desenvolvimento de
Inclusão Juvenil (CDIJ), cuja candidatura foi apresentada em 2023, mas
aguarda resposta do Governo Regional. Porém, a prioridade agora passa
por concluir “a empreitada de remodelação e ampliação da sede” da
associação.No apoio à população idosa, Nélia Viveiros reconhece que o
atual modelo do serviço de apoio ao domicílio não permite responder a
todas as necessidades. “No formato em que a valência do serviço de apoio
ao domicílio está neste momento desenvolvida, acabamos por não
conseguir dar resposta às solicitações que nos chegam dos clientes”,
referiu. “Os cuidadores estão muito sobrecarregados e nós não
conseguimos dar resposta à família”, reforçou, acrescentando que está
assegurado o apoio “a nível dos cuidados básicos, dos banhos, mas toda a
parte da animação socio-recreativa, do cuidado a nível psicológico e
até sociorrecreativo, de respostas de lazer e, sobretudo, de descanso
para os cuidadores, acabamos por não conseguir dar essa resposta”.Nélia
Viveiros defende que “para além dos ajudantes familiares domiciliários,
era importante ter um animador e um psicólogo que fizessem esse
acompanhamento”, bem como a criação de “uma bolsa de cuidadores, à qual
os cuidadores informais pudessem recorrer para os seus descansos e até
mesmo para se deslocarem a bens e serviços”. E exemplifica: “Muitas
vezes, os cuidadores não conseguem sair de casa para ir às suas
consultas, por exemplo, porque não tem ninguém com quem deixar o seu
familiar”. As dificuldades estendem-se também aos centros de
convívio para idosos. Nélia Viveiros explica que, por não existirem
recursos humanos afetos diretamente a esta valência, cabe à instituição,
dentro das suas possibilidades, garantir o funcionamento das
atividades. A presidente salienta que, na ausência de pessoal
especializado, são muitas vezes os auxiliares de serviços gerais ou
monitores de outras valências que, sempre que possível, asseguram parte
da dinamização das atividades.“Os nossos monitores estão afetos às
valências do ATL e não conseguimos que estejam todos os dias nos centros
de convívio”, elucida, adiantando que “na nomenclatura da valência não
há recursos humanos afetos, porque pressupõe-se que os idosos são ativos
e que consigam desenvolver os seus convívios e as suas atividades, mas,
na prática, acaba por não ser assim”. Refira-se que a Associação de
Juventude da Candelária comemora hoje três décadas de atividade com um
encontro no Salão da Filarmónica Lira Nossa Senhora da Estrela, na
freguesia da Candelária, onde reúne utentes de todas as suas valências,
trabalhadores, sócios e entidades parceiras.Em comunicado, a
instituição revela que a celebração contará com performances teatrais e
de dança criativa apresentadas por crianças e jovens dos Centros de
Atividades de Tempos Livres da Associação, além de uma homenagem aos
cofundadores João Alberto Pereira, Sérgio Pavão e Ricardo Pereira.Sobre
as atividades desenvolvidas ao longo de 30 anos, a associação destaca a
realização de intercâmbios com jovens e também aos idosos dos Centros
de convívio, que nada mais são do que uma “oportunidade de conhecer
outras realidades e culturas”. Além disso, é realçada a realização
anual, ininterrupta, durante 18 anos, do festival de teatro Juvearte,
que conta com a participação de grupos de teatro regionais, nacionais e
internacionais.A associação vincou também, que, ao longo do seu
exercício de atividades, foi criado um CATL, um centro comunitário com
atividades de turismo inclusivo e social, três centros de convívio para
idosos, um centro de atendimento e acompanhamento psicossocial de RSI, e
a criação do de um serviço de apoio ao domicílio.