Ainda sem solução as crianças que vivem num barracão
11 de mar. de 2026, 09:20
— Daniela Arruda
O caso foi divulgado a 22 de fevereiro de 2026 pelo jornal Açoriano
Oriental. Nesse dia, a vida de uma família com duas crianças, uma de
quatro anos e outra de 12, saiu das quatro paredes de um barracão de
cimento, na freguesia da Fajã de Baixo, que serve de casa há mais de uma
década, para ganhar visibilidade junto da comunidade e das entidades
oficiais.Hoje completam-se 17 dias desde a publicação e, segundo a
família, não houve qualquer resposta de nenhuma instituição
relativamente à situação em que vivem as crianças. Nenhum contacto foi
feito para oferecer uma solução, nem para dar feedback sobre o que está a
ser feito.Nem o Instituto da Segurança Social (ISSA), nem a
Comissão para a Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), nem a Direção
Regional da Habitação procuraram esta família até ao momento. Vitória,
mãe das crianças, conta que o teto começa a ceder. A solução passa por
remendar o barracão, tarefa que Nelson, o pai, está agora a tratar: “A
placa está a dar de si. Se cair em cima dos meus filhos, não sei o que
vai ser de mim”, confessa Verónica, acrescentando: "Vivemos debaixo
dessa placa, sabe-se lá o que pode acontecer".Além do frio, da chuva
que inunda o espaço, da humidade e da falta de condições para
descansar, a estrutura do barracão começa a mostrar sinais de
insegurança. O esquentador continua ligado a uma garrafa de gás dentro
da casa de banho, sem ventilação. “Alice” (nome fictício), de quatro
anos, mantém crises frequentes de bronquiolite, já confirmadas por
atestado médico, que associa a situação clínica às condições em que
vive, sobretudo à humidade e ao frio.Estas crianças continuam à
espera de respostas institucionais, soluções legais e processos
administrativos que se mantêm fragmentados. A família é acompanhada, mas continua sem solução. A situação é conhecida pelas autoridades, mas
permanece sem solução há 12 anos. Tornou-se pública, mas depois de 17
dias, continua sem qualquer contacto. A família questiona quanto mais
tempo a vida destas duas crianças continuará em suspenso.