Ainda há "um longo caminho pela frente", avisa OMS
Covid-19
20 de mai. de 2020, 18:10
— Lusa/AO Online
“É o maior
número num único dia desde o início do surto. E quase dois terços
desses casos foram relatados em apenas quatro países”, disse o
responsável numa conferência de imprensa ‘online’, a partir da sede da
organização, em Genebra.Tedros Adhanom
Ghebreyesus disse que a OMS está especialmente preocupada com o aumento
de casos em países de baixo ou médio rendimento, salientando depois a
importância de garantir que os sistemas de saúde continuem a funcionar.Na
conferência de imprensa, o responsável destacou também que a covid-19,
doença provocada por um novo coronavírus, não é a única crise que o
mundo enfrenta, sendo outra a das alterações climáticas, dando como
exemplo o ciclone Amphan, “dos maiores das últimas décadas” e que está a
atingir a Índia e o Bangladesh.E numa
perspetiva mais otimista disse que uma das lições que trouxe a covid-19
foi a de que “a saúde não é um custo, é um investimento”.Numa
conferência de imprensa sobre a covid-19 um dia depois do final da
Assembleia Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus referiu-se ao
evento, “produtivo” e “de uma solidariedade sem precedentes”, mas não à
carta que o Presidente dos Estados Unidos mandou também na terça-feira à
OMS, dando um prazo de 30 dias para haver “melhorias significativas” na
organização, caso contrário acaba definitivamente com a contribuição do
país para a OMS.Questionado diversas
vezes pelos jornalistas sobre a carta o responsável máximo da OMS
respondeu sempre o mesmo: “Recebemos a carta e estamos a analisar”.O
diretor-geral também foi pouco explícito sobre como colmatar a lacuna
caso os Estados Unidos deixem de contribuir para a organização, dizendo
que hoje a OMS já não depende tanto das contribuições dos países. No
entanto Michael Ryan, diretor para a área das emergências, disse que
essa contribuição ia diretamente para programas emergenciais e a falta
dela “terá uma implicação negativa”.Sobre a
investigação independente à resposta da OMS à covid-19, decidida na
Assembleia Mundial da Saúde, o diretor-geral disse que ela será feita o
mais rapidamente possível e quando “as condições o permitirem”. E salientou depois que já foi feita uma avaliação independente que incide sobre os meses de janeiro a abril.Na
conferência de imprensa, em respostas aos jornalistas, Michael Ryan
também avisou que medicamentos como cloroquina ou hidroxicloroquina não
foram até agora identificados como eficazes, e Maria Van Kerkhove, que
dirige a resposta à doença, disse que há atualmente mais de 120 vacinas a
ser testadas, algumas delas já em pessoas.