AICOPA regista aumento de 34% do valor de investimento de obras públicas
14 de out. de 2022, 10:02
— Carolina Moreira
A direção da AICOPA - Associação dos Industriais da
Construção Civil e Obras Públicas dos Açores faz um balanço positivo,
até ao momento, do ano de 2022 para o setor, apontando a evolução de
alguns indicadores em que ainda não é visível o impacto da atual
conjuntura económica associada à “guerra na Ucrânia, inflação, subida
das taxas de juro ou dificuldades nas cadeias de abastecimento”.“À
data de setembro, e em termos acumulados, o volume de trabalho na
construção civil cifra-se em 178 milhões de euros (ME), sendo 109 ME
resultante de concursos públicos e 69 ME de ajustes diretos. Quando
comparado com o homólogo, e em volume total, 2022 cresce cerca de 34% em
trabalho”, ou seja, em valor de investimento em obras públicas,
salienta a AICOPA em comunicado, alertando contudo para o facto de “este
crescimento ocorrer sobretudo por via dos ajustes diretos e não dos
concursos públicos”.A associação dos industriais da construção civil
prevê que o ano de 2022 termine com um “volume de trabalho global de
237 ME”, um valor “muito acima do fecho de 2021 [141,5 ME] e próximo de
2020 [247 ME]”.“Tal leva-nos a crer que, apesar de todo o contexto
económico, 2022 ainda será um bom ano em termos de trabalho. No entanto,
tal não alivia as nossas preocupações face a 2023 que poderá vir a ser
um ano mais difícil”, ressalva a associação em nota.Numa análise
global, a AICOPA aponta outros indicadores como o consumo de cimento
que, em agosto, se fixou na ordem “das cerca de 104 mil toneladas, mas
ligeiramente abaixo do período homólogo”.Já as licenças de obras
para fogos cresceram “novamente” em julho face aos últimos dois anos,
enquanto as licenças de obras para edifícios sofreram uma “ligeira
quebra”.Outro indicador apontado pela AICOPA em comunicado está
associado ao número de trabalhadores existente no setor da construção
civil, em oposição à taxa de desemprego verificada na Região.Segundo
os dados da associação, apesar da taxa de desemprego estar a diminuir
nos Açores, o número de trabalhadores que têm abandonado a construção
civil tem aumentado. “A mão-de-obra desempregada tem vindo a ser
absorvida no mercado, mas não pela construção civil, onde continua a
haver efetivos a abandonar o setor”, destaca a AICOPA.Após a análise
dos indicadores, a associação conclui que, “para já, e apesar das
dificuldades, o setor da construção civil não tem sido muito beliscado”,
associando esta realidade à “capacidade de reajuste que as empresas do
nosso setor foram ganhando com as crises económicas passadas e do bom
clima que se vivia até finais de 2021 e mesmo no primeiro mês e meio do
ano corrente”.Perspetivando já o próximo ano de 2023, a AICOPA
alerta no entanto que “não vivemos momentos de euforia nem nos podemos
deslumbrar”. “Aquilo que mais ouvimos da parte dos especialistas é
que vem aí uma grande recessão e, se assim for, temos de ter a
capacidade de nos reajustarmos àquilo que essa situação trará de bom e
de mau e à postura do nosso governo, quer regional quer central, no
combate a essa recessão. Há que continuar a lutar diariamente pelo nosso
setor e procurar soluções construtivas para os desafios que o mesmo
enfrenta”, apela a AICOPA.