AICOPA alerta para quebra de 68% nos concursos públicos
Hoje 09:11
— Rui Jorge Cabral
A Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos
Açores (AICOPA) está preocupada com uma possível “quebra abrupta de
atividade” quando terminar o atual ciclo de obras do Plano de
Recuperação de Resiliência (PRR), alertando que o volume de concursos
públicos lançados este ano está “cerca de 68% abaixo do valor registado
em 2020, ano pré-PRR”.Isto numa altura em que o setor da construção
civil cresceu e voltou a registar máximos de mão-de-obra, com cerca de
10 mil trabalhadores nos Açores, que já não registava desde 2012, antes
da crise da ‘troika’. Por isso, o risco de uma nova perda de postos de
trabalho na construção civil açoriana é real. Em nota de imprensa, a
AICOPA admite encarar com “grande preocupação” o futuro próximo do
setor da construção civil nos Açores, lembrando que “o primeiro semestre
de 2026 não tem sido promissor para os empresários da construção
civil”. E para a AICOPA, “o problema reside na capacidade da Região
manter o nível de investimento no período pós-PRR, uma vez que o volume
de concursos públicos que tem sido lançado em 2026 se encontra muito
abaixo dos níveis registados nos últimos seis anos”. Por isso,
“impõe-se criar previsibilidade no horizonte ao setor da construção
civil, evitando-se a descontinuidade no investimento público com o termo
do PRR e agilizando-se o Construir 2030”, alerta a associação
representativa dos industriais da construção civil nos Açores. Para a
AICOPA, “as empresas do setor necessitam de saber que podem contar com
uma carteira de obras que lhes possa garantir a continuidade do trabalho
em 2027 e anos seguintes e a manutenção das suas equipas”. Isto
porque, “existe um sério risco de quebra abrupta de atividade no setor,
caso a Região não adote uma estratégia robusta de investimento público,
podendo ocorrer uma redução abrupta de volume de obras, perda de emprego
no setor e retração das empresas”. E a AICOPA alerta: “este risco é
real em economias insulares, com menor investimento privado,
verificando-se um risco real de abrandamento”. Atualmente, a AICOPA
lembra que “o estado do setor da construção civil nos Açores pode ser
resumido como um setor em forte atividade e com elevado volume de
investimento, mas simultaneamente sob grande pressão estrutural” ao
nível da mão-de-obra, dos materiais, dos prazos e da capacidade de
resposta.Devido ao PRR, que termina este ano, “regista-se uma forte
pressão sobre a capacidade do setor, havendo um desequilíbrio evidente
entre os desafios do mercado e as limitações na capacidade instalada das
empresas locais em termos de escassez de mão-de-obra”. E mesmo com
cerca de 10 mil trabalhadores, um nível máximo desde 2012, a AICOPA
reconhece que este número “continua a ser insuficiente para fazer face à
procura, para além do problema da menor qualificação média da
mão-de-obra existente, o que tem gerado menor produtividade e obras com
um ritmo de execução inferior ao necessário”. No atual cenário, o
setor da construção civil nos Açores “antecipa a entrada num ciclo mais
dependente do Açores 2030, do investimento regional e municipal e da
iniciativa privada”, pelo que os Açores enfrentam “um sério risco de
efeito travão se não surgir um pipeline suficiente de novos projetos”.A
AICOPA lembra que durante o ciclo do PRR, “muitas empresas expandiram
equipas e assumiram riscos financeiros”, pelo que “ao enfrentarem um
cenário de quebra abrupta de atividade, poderão defrontar-se com
estruturas sobredimensionadas, encargos fixos elevados e excesso de
mão-de-obra”.Se este cenário acontecer, a AICOPA antecipa
“falências ou encerramento de PME’s, perda de tecido económico local,
desemprego e fuga de mão-de-obra qualificada”. Por isso, conclui a
AICOPA em nota de imprensa, é necessário que a Região adote “uma
estratégia robusta de investimento público”.