Aguiar-Branco salienta que autonomia dos Açores e da Madeira significa responsabilidade
Hoje 11:45
— Lusa/AO Online
“Autonomia
significa responsabilidade e responsabilidade significa
responsabilização. Também no continente podemos e devemos aceitar estes
princípios”, declarou José Pedro Aguiar-Branco no discurso que proferiu
no encerramento da sessão comemorativa dos 50 anos das autonomias dos
Açores e da Madeira na Assembleia da República.Nas
galerias do Parlamento, entre outras figuras políticas, José Pedro
Aguiar-Branco tinha a ouvi-lo os antigos presidentes dos governos
regionais dos Açores Carlos César e Vasco Cordeiro, assim como anterior
líder do executivo regional da Madeira, Alberto João Jardim.José
Pedro Aguiar-Branco começou por acentuar que foi na Assembleia da
República que há 50 anos “nasceu” a autonomia dos Açores e da Madeira. E
que foi na Constituição aprovada pelo Parlamento que a autonomia
“ganhou forma”.“É verdade que a autonomia é
um dos princípios fundamentais do regime e um dos limites materiais de
revisão constitucional. Mas, para além do princípio constitucionalmente
consagrado, a autonomia teve de ser conquistada passo a passo, medida a
medida, nos últimos 50 anos”, defendeu.Deixou
uma crítica a perspetivas centralistas relativas à organização do
Estado, apontando que “ainda hoje, cinquenta anos depois, há quem não
consiga esconder um certo paternalismo para com as regiões”. “Há
quem pense na autonomia como um favor, ou uma concessão revogável do
poder central, há quem veja os órgãos regionais como subalternos e há
quem veja a Lei das Finanças Regionais como uma espécie de mesada a dar a
um filho mais velho. Precisamos, sim, de rever a Lei das Finanças
Regionais. Como foi lembrado, e bem, pelo Presidente da República e como
foi reconhecido, e bem, pelo Governo”, afirmou. Na
perspetiva de Aguiar-Branco, “há 50 anos, a Constituição estabeleceu o
princípio, mas foram os madeirenses e os açorianos que souberam lutar
para garantir a autonomia”. “Um longo
processo que ainda está longe de ter terminado. E é também por isso que
hoje não devemos celebrar apenas a autonomia. Devemos celebrar tudo o
que a autonomia permitiu aos portugueses que vivem na Madeira e nos
Açores” sustentou. Neste contexto, José
Pedro Aguiar-Branco fez uma comparação entre a Madeira e os Açores há
meio século e a realidade de hoje das duas regiões autónomas.“Quem
conhece a Madeira e os Açores hoje, sabe o mais importante: a autonomia
funcionou. A autonomia funciona. São navios a ligar as ilhas e túneis a
romper as montanhas. É uma política fiscal própria, são escolas,
hospitais e universidades e uma estratégia de abertura ao turismo e à
diáspora. É a capacidade de tomar decisões próximas das pessoas e dos
seus problemas”, declarou. Ainda sobre os
resultados alcançados em termos de desenvolvimento económico e social,
advogou que “o desenvolvimento social e económico das regiões autónomas é
real”. “A convergência, ultrapassando
barreiras geográficas, é real. Nestes 50 anos, as regiões autónomas
portuguesas tiveram mesmo um desempenho económico comparável ou, em
certos momentos, superior ao das ilhas espanholas, apesar de partirem de
bases diferentes”, frisou. Por isso,
“dizer que a autonomia funciona não é meramente uma afirmação política. É
um juízo baseado em número e em dados”, e "é factual", declarou.O
presidente da Assembleia da República defendeu também a tese de que
“não há distância entre ser açoriano ou madeirense, e ser português”. E
recebeu palmas dos deputados quando disse:“Esta
casa, em concreto, conhece bem os exemplos de Guilherme Silva e José
Medeiros Ferreira, de Carlos César e Alberto João Jardim. O exemplo
maior do presidente João Bosco Mota Amaral e do presidente Jaime Gama”,
disse, numa alusão a anteriores presidentes da Assembleia da República. “Figuras que aprendemos a respeitar. Porque serviram o país inteiro, sem nunca esquecerem as suas regiões”, salientou.Depois,
acrescentou: “Devemos aceitar, de uma vez por todas, o legado destes 50
anos de construção da autonomia” e “devemos perceber, 50 anos depois,
que mais responsabilidade, maior responsabilização, não é direito
outorgado ou favor concedido. É a maior oportunidade que uma democracia
tem para oferecer aos seus”.