Aguiar-Branco pede “bom senso” e menos extremismo na vida política em 2025
3 de jan. de 2025, 10:06
— Lusa/AO Online
Estas
posições constam de um artigo de José Pedro Aguiar-Branco sobre o novo
ano de 2025, com o título “O triunfo do bom senso” e que foi
publicado no Jornal Económico.Segundo o
gabinete do presidente da Assembleia da República, o artigo de José
Pedro Aguiar-Branco foi escrito antes da divulgação da mensagem de Ano
Novo do Presidente da República, durante a qual, por coincidência,
Marcelo Rebelo de Sousa também apelou ao “bom senso”, embora num
contexto diferente, quando se referiu à solidariedade institucional e à
cooperação estratégica entre órgãos de soberania, nomeadamente
Presidente da República e primeiro-ministro. Um tema não abordado por
José Pedro Aguiar-Branco.No seu artigo, o
presidente da Assembleia da República pede “uma dose reforçada de bom
senso, desde logo, nas palavras e nos discursos”.“Hoje
o debate público no país está extremado, hiperbolizado”, critica o
antigo ministro social-democrata. Como exemplo, aponta a recente
discussão em torno do “descongelamento dos salários dos políticos - o
último corte do tempo da Troika que faltava reverter - como se fosse o
expoente máximo da corrupção do regime”.Sem nunca se referir a qualquer partido especificamente, José Pedro Aguiar-Branco considera no entanto que “o país não é assim”.“As
pessoas desejam liberdade, mas também segurança; querem ordem pública,
mas também tolerância; escolhem a prosperidade, mas não recusam a
solidariedade social; valorizam a autonomia individual, mas também a
vida em comum. Projetos radicais, destemperados têm pouca tração na
sociedade portuguesa. Os portugueses são moderados e querem a paz
social”, sustenta.No seu artigo, depois de
desdramatizar a atual circunstância de haver um parlamento com uma
composição política fragmentada, o presidente da Assembleia da República
assinala que, “muitas vezes, parece que o discurso político anda longe
da vida das pessoas” e “adere mais facilmente a simplificações
ideológicas, ou até a projetos de engenharia social”.Neste
ponto, deixa um aviso: “Os portugueses rejeitaram sempre essas
pretensões, preferem uma política realista, preferem o bom senso”.“Nenhum
de nós foi eleito para deixar tudo na mesma, e os portugueses deram-nos
um parlamento onde a ação, para acontecer, tem de ser concertada, tem
de ser negociada. Precisamos de conversar mais e melhor”, defende.Neste
contexto, entre outros domínios, defende uma reforma na justiça, uma
política educativa que ofereça estabilidade aos alunos e autoridade aos
professores, e alterações à lei das incompatibilidades que tragam “os
melhores para a política”.“Nestes como noutros domínios, as reformas far-se-ão por consenso, ou não se farão de todo”, adverte.Neste seu artigo, José Pedro Aguiar-Branco acentua ainda que o bom senso “faz falta na política migratória”.“Os
portugueses são instintivamente solidários e estão atentos aos dramas
humanos de tantos refugiados e migrantes. Será sensata a política que
souber articular o rigor com o humanismo; o controlo com a capacidade de
acolher; o respeito pelo outro com a necessidade de integração na nossa
cultura. E que assegurar, ao mesmo tempo, um combate firme às máfias de
tráfico humano e à exploração económica dos migrantes”, defende.Na
política extrema, o presidente da Assembleia da República deixa novo
recado, dizendo que o papel de Portugal no mundo “não é apenas nomear
pessoas para cargos internacionais”.“É
tomar o seu lugar no concerto das nações e usar a sua posição
estratégica, a sua capacidade de construir pontes e o seu legado de luta
pela democracia e pelos direitos humanos, para defender as suas causas e
os seus interesses. Dentro da União Europeia, Portugal deve apoiar o
alargamento a leste, com datas concretas e um compromisso claro. Não
podemos temer o alargamento, com o argumento de que nos fará perder
fundos”, acrescenta.