Aguiar-Branco pede ao PSD, Chega e PS que apresentem candidatos ao TC até terça-feira
Hoje 12:42
— Lusa/AO Online
Este despacho de José Pedro
Aguiar-Branco, ao qual a agência Lusa teve acesso, foi já enviado a
todos os grupos parlamentares e deputados únicos da Assembleia da
República e surgiu em resposta a um requerimento do Chega, de
terça-feira, no sentido de ser convocada uma conferência de líderes
extraordinária para “assegurar o regular funcionamento” do órgão de
soberania Tribunal Constitucional, através da convocação rápida de
eleições.Para o presidente da Assembleia
da República, “a apreciação da urgência invocada” pelo Chega deve ter
presente que a comunicação de renúncia apresentada pelo presidente do
TC, José João Abrantes, na terça-feira, “prevê expressamente que a
respetiva produção de efeitos ocorrerá apenas a partir da tomada de
posse do juiz conselheiro que a Assembleia da República vier a eleger
para ocupar a vaga correspondente”.“Nessa
medida, e contrariamente ao pressuposto enunciado no requerimento
apresentado [pelo Chega], não se verifica, no momento presente, uma
situação de quatro lugares simultaneamente vagos no TC. Subsistem, sim,
três vagas atualmente por preencher, acrescendo uma renúncia já
comunicada, mas cuja produção de efeitos se encontra diferida para o
momento da tomada de posse do juiz que vier a ser eleito para o lugar
correspondente”, contrapõe José Pedro Aguiar-Branco.Porém,
para o presidente da Assembleia da República, esta circunstância “não
diminui a importância institucional da matéria nem a necessidade de a
Assembleia da República prosseguir, com a maior brevidade possível, os
procedimentos necessários à conclusão do processo eleitoral pendente”.Nesse
sentido, refere a Lei Orgânica do Tribunal Constitucional, onde se
prevê que as candidaturas “são apresentadas em lista completa, por um
mínimo de 25 e um máximo de 50 deputados, perante o presidente da
Assembleia da República, até cinco dias antes da reunião marcada para a
eleição, devendo ser devidamente instruídas com os elementos de prova da
elegibilidade dos candidatos e com as respetivas declarações de
aceitação de candidatura”.No início de
abril, o PSD comunicou ter acordado com o PS o adiamento da eleição dos
novos juízes do TC para maio, já a contar com a possibilidade de se ter
de substituir mais um juiz, ou seja, quatro em vez de três. A eleição
dos novos juízes – que é feita por voto secreto e implica dois terços
dos votos – tem sido sucessivamente adiada desde o início da
legislatura.No seu despacho, o presidente
da Assembleia da República também defende que “tem assumido, desde a
primeira hora, uma postura ativa no sentido de promover o agendamento
das eleições para órgãos externos à Assembleia da República, incluindo a
eleição de juízes para o TC”.“A não
realização, até ao momento, de algumas dessas eleições não resultou de
inércia do presidente da Assembleia da República, mas antes da
inexistência de candidaturas formalmente apresentadas ou de sucessivos
pedidos de adiamento de atos eleitorais já calendarizados, formulados
por diferentes grupos parlamentares, entre os quais o próprio Grupo
Parlamentar requerente [o Chega]”, sustenta Aguiar-Branco.Ainda
em relação ao requerimento do Chega, o presidente do parlamento acentua
que, “só perante essa informação” relativa aos candidatos “será
possível aferir da utilidade imediata de uma reunião extraordinária da
conferência de líderes”.“Ou, em
alternativa, preparar a apreciação da matéria na reunião da conferência
de líderes já agendada para o dia 20 de maio de 2026, assegurando, em
qualquer caso, o cumprimento integral do regime legal aplicável”,
conclui o presidente do parlamento. No
despacho do presidente da Assembleia da República, determina-se,
igualmente, que deverá ser notificada a Comissão de Assuntos
Constitucionais para informar, até terça-feira, qual o período que
considera necessário para a realização das audições parlamentares dos
candidatos que venham a ser indicados pelo PSD, PS e Chega.