Aguiar-Branco destaca pontificado de fraternidade, paz e misericórdia
Óbito/Papa
21 de abr. de 2025, 10:57
— Lusa/AO Online
O papa Francisco morreu hoje aos 88 anos, depois de ter estado internado devido a uma pneumonia bilateral.Em declarações à agência Lusa, José Pedro Aguiar-Branco expressou “profunda tristeza pela morte do Papa Francisco”.“O
seu pontificado foi para a Igreja e para o mundo um sinal de
fraternidade, paz e misericórdia. A melhor homenagem que podemos prestar
é garantir que as suas palavras continuam a ser um exemplo”,
acrescentou o presidente da Assembleia da República.Numa
nota que publicou depois no portal da Assembleia da República, José
Pedro Aguiar-Branco refere que, desde o primeiro dia, o Papa Francisco
chamou todos os cidadãos “a acreditar, com a sua desarmante e profética
simplicidade, que um outro mundo era possível”.“As
suas encíclicas sociais e ecológicas trouxeram ao centro do debate
público mundial conceitos como a amizade social e a ecologia integral.
Convidou-nos a uma relação mais justa com o mundo criado e com a
tecnologia, e apelou à convivência entre gerações e à valorização das
culturas, como formas de redescobrir a inteireza da experiência humana,
num tempo tão permeável aos riscos do materialismo”, realça o presidente
da Assembleia da República.José Pedro
Aguiar-Branco salienta também que o Papa “apoiou, com palavras e gestos,
os refugiados de guerra e defendeu convictamente a paz, convidando
sempre à responsabilidade dos agentes políticos”.“Dizia
com frequência que não vivemos uma época de mudanças, mas uma mudança
de época e encarava o futuro com uma esperança realista e responsável.
Sustentava também que a política é a mais alta forma de caridade”,
assinala.No seu texto, o antigo ministro
social-democrata indica, ainda, que o Papa Francisco, afirmou,
“provocadoramente, que o mundo enfrenta uma guerra mundial em pedaços” e
que se colocou “sempre numa posição de defesa da paz e da dignidade da
vida humana, tendo sido responsável por uma revisão do catecismo da
Igreja Católica que condenou a pena de morte em todas as
circunstâncias”.“Recordamos todos o modo
como atravessou, com solitária decisão, a praça de São Pedro vazia, para
declarar, no ponto mais dramático da pandemia de covid-19, que ninguém
se salva sozinho”, acrescenta.José Pedro
Aguiar-Branco observa em seguida que o Papa “fez 47 viagens apostólicas
fora de Itália, a 67 países, e esteve em todos os continentes
habitáveis”.“Por duas vezes, visitou
Portugal: em 2017, para o centenário das Aparições de Fátima, e em 2023,
para a XXXVII Jornada Mundial da Juventude. Nesta segunda ocasião,
disse aos responsáveis políticos: Sonho uma Europa, coração do Ocidente,
que use o seu engenho para apagar focos de guerra e acender luzes de
esperança; uma Europa que saiba reencontrar o seu ânimo jovem, sonhando a
grandeza do conjunto e indo além das necessidades imediatas; uma Europa
que inclua povos e pessoas com a sua própria cultura, sem correr atrás
de teorias e colonizações ideológicas", destaca.José
Pedro Aguiar-Branco, enquanto presidente da Assembleia da República e
enquanto católico, afirma sentir “profunda tristeza” por o mundo perder
“a voz do Papa Francisco.“A melhor homenagem que podemos prestar é garantir que as suas palavras e as suas ações continuam a ser um exemplo”, conclui.