Aguiar-Branco cria grupo para analisar entidades independentes na órbita do parlamento
17 de abr. de 2026, 12:08
— Lusa/AO Online
Esta
decisão de José Pedro Aguiar-Branco consta de um despacho ao qual a
agência Lusa, em que se requer aos diferentes grupos parlamentares que
indiquem cada qual um deputado, até terça-feira, para integrar esse
grupo de trabalho.Um convite estendido aos
deputados únicos do parlamento e em que também se assinala que o
presidente da Assembleia da República, após audição da conferência de
líderes, designará “três personalidades externas”.No
seu despacho, que tem a data de quinta-feira, o presidente do
parlamento fixa um prazo de seis meses para apresentação do relatório
final, “sem prejuízo da possibilidade de serem apresentados relatórios
intercalares”.Entre os principais motivos
inerentes à constituição deste grupo de trabalho, aponta-se a crescente
criação de diversas “entidades administrativas independentes e outros
organismos externos que gravitam em torno da Assembleia da República”.Uma
situação que nos últimos anos tem gerado, segundo o parlamento, “um
impacto crescente no Orçamento da Assembleia da República”.“Em
causa estão dinheiros públicos canalizados através do Orçamento da
Assembleia da República para entidades dotadas de independência
funcional e de autonomia administrativa e, em alguns casos, também, de
autonomia financeira, com os inerentes deveres de boa gestão, de
racionalização de custos e de prestação de contas”, lê-se no documento.Assinala-se,
ainda, que nem sempre “a proliferação de entidades foi acompanhada de
um desenho institucional coerente entre si, quer ao nível da arquitetura
jurídica, quer dos modelos de autonomia, quer ainda da forma de
inscrição e execução orçamental das respetivas verbas”.Aponta-se
mesmo um caso como exemplo: “Os problemas identificados quanto à
instalação e funcionamento da Comissão para a Igualdade e Contra a
Discriminação Racial (CICDR) evidenciaram de forma particularmente clara
fragilidades do modelo atual”.Em
particular na CICDR, verificaram-se “ambiguidades de enquadramento
jurídico, dificuldades de suporte administrativo, insuficiências de
meios e dúvidas quanto à articulação com os serviços da Assembleia da
República”.Na sequência de dificuldades a
este nível, o presidente da Assembleia da República entendeu, por isso,
“ser necessário promover um levantamento sistemático e exaustivo” das
entidades administrativas independentes e demais organismos externos que
funcionam junto do parlamento.Uma iniciativa que, ainda segundo o despacho, “mereceu o acolhimento maioritário da conferência de líderes”.