Agricultura gerou 3.500 ME em 2021 mas o valor caiu para metade desde os anos 80
26 de abr. de 2022, 10:15
— Lusa/AO Online
“A
riqueza criada pela agricultura em 2021 foi de 3,5 mil milhões de
euros. Descontando a inflação acumulada ao longo dos anos, este valor
tem vindo a diminuir desde o início dos anos 80. Nessa década, a
agricultura gerava mais do dobro da riqueza atual”, apontou, numa nota
divulgada a propósito do dia da produção nacional.Em
2020, 1,3% da riqueza gerada pela União Europeia (UE) veio da
agricultura, destacando-se a Roménia e a Grécia (3,8% do Produto Interno
Bruto). Em Portugal, o peso era de 1,6% do PIB, importância que tem
vindo a descer desde 1995, altura em que situava nos 3,7%.Por
região, a agricultura tem maior relevância económica no Alentejo e nos
Açores, representando 8,8% e 6,8% do PIB, respetivamente. No sentido
oposto, a Área Metropolitana de Lisboa (AML) apresenta o menor peso
(0,3% do PIB). Desde que entrou na União
Europeia, foi em 1989 que Portugal recebeu o maior volume de ajudas ao
investimento agrícola, que supera em 2,5 vezes, descontando a inflação, o
montante auferido em 2020 (170 milhões de euros). De
acordo com o portal Pordata, em Portugal, as culturas agrícolas que,
atualmente, mais superfície ocupam são o olival (4,1% do território), os
cereais (2,3%) e a vinha (1,9%). Em 1986, o primeiro lugar era ocupado pelos cereais (9,5%), seguidos pelo olival (3,7%) e pela vinha (2,8%).Já
entre 1986 e 2020, “as principais leguminosas secas foram a cultura
agrícola que perdeu mais superfície em termos relativos (-91%). Em
contrapartida, os principais frutos de casca rija foram a cultura
agrícola que mais superfície ganhou (+87%). As
culturas agrícolas com maior produção são, atualmente, as principais
culturas forrageiras (4,4 milhões de toneladas), as principais culturas
para a indústria (1,3 milhões de toneladas), as culturas hortícolas (1,2
milhões de toneladas) e os cereais (um milhão de toneladas). No
que se refere à produtividade, destacam-se as principais culturas para a
indústria, com 64.000 quilogramas (kg) por hectare (ha). Seguem-se as
principais culturas forrageiras (31.000 kg/ha) e as hortícolas (27.000
kg/ha). “O azeite é um produto
tipicamente mediterrânico. Em 2020, Portugal foi o quarto maior produtor
de olival (723.000 toneladas) entre oito países da União Europeia com
produção nesse ano. A Espanha foi o maior produtor (8,1 milhões de
toneladas), seguida por Itália (2,2 milhões de toneladas) e Grécia (1,3
milhões de toneladas”, lê-se no documento. Portugal atingiu em 2019 o recorde da produção de azeite, com 1,5 milhões de hectolitros. No
ano seguinte, Portugal foi o quinto maior produtor de vinha (853.000
toneladas) na UE, considerando os 19 países produtores em 2020, sendo
que Itália foi o maior (8,2 milhões de toneladas). “A
vinha ocupa 176.000 hectares, o equivalente á área do município de
Odemira. Contudo, a superfície de vinha encolheu mais de 82.000 hectares
desde 1986. Quase metade da área de vinha encontra-se no Norte”,
exemplificou. A produção de vinho ascendeu
a 7,4 milhões de hectolitros em 2021, o valor mais alto desde 2006,
sendo que mais de dois terços do vinho é tinto ou rosado e um terço é
branco. As regiões com maior produção de
vinho são o Douro (22% do total), Oeste (16%), Alentejo Central (13%),
Lezíria do Tejo (9%) e Área Metropolitana de Lisboa (9%). Os
dados compilados pelo Pordata concluem ainda que a agricultura tem cada
vez menos trabalhadores: em 1989, Portugal tinha 1,5 milhões de
agricultores, o equivalente a 16% da população residente, e, três
décadas depois, tinha 650.000. A mão de
obra agrícola é constituída por 364.866 homens e 283.386 mulheres,
sobretudo, com idades acima dos 55 anos e com o ensino básico, conforme
revelam os últimos dados disponíveis, reportados a 2019.A
remuneração média mensal dos trabalhadores por conta de outrem fixou-se
em 1.042 euros em 2020, enquanto na agricultura e pesca foi de 823,1
euros. O número de explorações agrícolas em Portugal caiu para metade nos últimos 30 anos, situando-se nos 300.000 em 2019.“Hoje,
9% das explorações são de média a grande dimensão (ou seja, com pelo
menos 20 hectares) que ocupam 4/5 do território (79%). Há 30 anos eram
4% e ocupavam pouco mais de 3/5 (62%)”, revelou. Mais
de metade da superfície agrícola em Portugal serve para pastagens
permanentes destinadas à produção pecuária, enquanto 26% é ocupada por
terras aráveis para a produção agrícola e 22% por culturas permanentes.A Pordata é uma base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).