Agricultura e Mar prioridades dos Açores para o próximo quadro comunitário
16 de abr. de 2018, 17:59
— Lusa/AO online
No
final de um encontro com o primeiro-ministro António Costa e o ministro
do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, o presidente dos
Açores, Vasco Cordeiro, resumiu que os Açores defendem que a Política
Agrícola Comum (PAC) deve continuar a cumprir “um papel extremamente
importante de vida ao nível das comunidades rurais”.“Nos
Açores, há uma circunstância especial ao nível da produção de leite que
também tem os seus desafios, que também teve neste período de quadro
comunitário, que agora está a metade, desafios muito próprios, que é o
caso da extinção das quotas leiteiras, e que deve continuar a prever
mecanismos que possam ajudar a agricultura nessas regiões
ultraperiféricas a fazerem o seu caminho e a ser um fator de
convergência e de desenvolvimento dessas regiões”, afirmou.A
política relativa ao mar também está entre as prioridades açorianas,
salientou Vasco Cordeiro, nomeadamente porque “só à conta dos Açores, em
termos de área de mar, há cerca de um milhão de quilómetros quadrados
atualmente”, o que dá a dimensão “da importância que o arquipélago tem
para o país”.Vasco Cordeiro defendeu a existência do programa POSEI, de apoio específico às regiões ultraperiféricas, também às pescas.“O
que defendemos foi a manutenção e o reforço do POSEI Agricultura - que
comparticipa medidas especificamente dirigidas quer ao abastecimento,
quer ao escoamento de produtos, quer ao apoio à própria produção - e
também a recuperação de algo que não existiu como programa autónomo
neste quadro comunitário de 2014-2020, que é o POSEI Pescas. Da mesma
forma que há o POSEI Agricultura, o POSEI Pescas [seria] direcionado
para a questão das áreas relativas às pescas”, explicou.Outra das preocupações fundamentais tem a ver com as taxas de cofinanciamento das regiões ultraperiféricas.“Achamos
que, quer fruto daquilo que está consagrado no Tratado, quer fruto de
decisões recentes do Tribunal de Justiça das Comunidades, há todos os
motivos e todas as razões para que, na próxima discussão do próximo
quadro financeiro plurianual, se reforce esta ideia de um tratamento
diferenciado em relação às regiões ultraperiféricas com a manutenção das
taxas de cofinanciamento máximas, em relação não apenas à questão dos
fundos estruturais, mas em relação a todas as medidas que têm a ver com o
apoio e o cumprimento das políticas comunitárias”, acrescentou.No
final do encontro, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas,
Pedro Marques, destacou a importância do consenso para que Portugal
possa levar uma posição forte perante Bruxelas.Portugal
tem “uma agenda ambiciosa para a próxima década em torno do
desenvolvimento das pessoas, das qualificações, da coesão, em torno da
inovação, da coesão territorial e em torno da sustentabilidade na
utilização dos recursos e na sustentabilidade ambiental”, destacou.“Para
concretizar essa ambição temos de ter uma política de coesão e uma PAC
fortes, temos que ter certamente novas políticas europeias em áreas
prioritárias, mas para isso precisamos de um orçamento europeu
ambicioso, que não ponha em causa as políticas que mais dizem respeito a
Portugal”, concluiu.O
Governo da República reuniu também com o presidente do Governo regional
da Madeira, Miguel Albuquerque, para ouvir o que a Madeira considera
essencial no âmbito do próximo quadro comunitário.